Wonderwall
A Inglaterra está classificada para as semifinais da Copa do Mundo de 2026 após derrotar a Noruega por um placar tenso nas quartas de final. Mas, além do desempenho em campo de craques como Harry Kane e Jude Bellingham, o que realmente tem chamado a atenção do mundo é a trilha sonora que embala os torcedores e jogadores: o clássico “Wonderwall”, do Oasis.
A música, lançada originalmente em 1995, transformou-se no hino oficial e espontâneo do “verão inglês” nos Estados Unidos, sendo cantada a plenos pulmões nos estádios após cada vitória da seleção masculina.
O aval de Liam e Noel Gallagher
A conexão com a banda de Manchester ganhou ainda mais força nas redes sociais. Logo após o apito final na vitória contra a Noruega nas quartas de final, o vocalista Liam Gallagher usou sua conta no X (antigo Twitter) para celebrar: “Vamos, Inglaterra! Vamos de Wonderwall. Mantendo as vibrações bíblicas”. A mensagem repetiu o tom do post feito por ele em 1º de julho, quando os ingleses eliminaram a República Democrática do Congo em Atlanta.
Do outro lado, o compositor da faixa, Noel Gallagher, admitiu em entrevista ao jornal The Sun que o fenômeno é inacreditável. “Wonderwall pertence ao povo. Foi um momento mágico entre o público e os jogadores”, declarou Noel, apesar de reforçar que não é um torcedor fervoroso da seleção nacional.
Conexão real: O impacto nos bastidores da Seleção Inglesa
Para os atletas, a cantoria conjunta virou um combustor emocional. Em participação ao podcast Lions’ Den, o capitão Harry Kane confessou que a primeira vez que a torcida entoou a canção de forma espontânea foi um dos momentos mais marcantes de toda a sua trajetória vestindo a camisa da Inglaterra.
O ex-goleiro e atual comentarista da BBC Sport, Joe Hart, endossou o sentimento. Segundo ele, esses episódios fenomenais de união são raros e fundamentais, pois permitem que os jogadores de elite se dispam da pressão profissional e se conectem com o lado humano do esporte por alguns minutos.
Por que uma música pop vira hino de futebol?
Diferente de hinos tradicionais como “Three Lions” ou “Sweet Caroline”, o surgimento de Wonderwall como trilha da Copa do Mundo de 2026 não foi planejado por nenhuma campanha de marketing.
De acordo com o biógrafo PJ Harrison, autor do livro Gallagher: The Fall and Rise of Oasis, o fenômeno une o momento perfeito à nostalgia imediata. A faixa ganhou uma sobrevida gigantesca com a badalada turnê de reencontro do Oasis no ano passado. “Basta que o DJ do estádio sinta o momento emocional, coloque a faixa e a multidão a abrace. A partir dali, ela ganha vida própria”, explica Harrison.
Outro fator crucial é a ambiguidade de sua letra. Noel Gallagher já deu diferentes versões sobre o significado da composição — desde uma carta de amor para sua ex-esposa até a história de um “amigo imaginário”. Essa falta de um significado rígido permite que o torcedor projete seus próprios sentimentos. Na arquibancada, “Wonderwall” pode ser sobre a namorada, sobre o gol de Jude Bellingham ou sobre a esperança de erguer a taça.
A mistura perfeita de euforia e melancolia
Especialistas em música britânica apontam que a estrutura da canção é perfeita para o ambiente do futebol. John Robb, músico e autor do livro Live Forever: The Rise, Fall And Resurrection Of Oasis, destaca o dualismo da melodia.
“Ser torcedor de futebol é viver entre a euforia e a melancolia. Wonderwall captura perfeitamente esse sentimento. Ela tem a melancolia de quem sabe que pode perder a qualquer segundo, mas traz uma explosão de energia contagiante no refrão.” — John Robb.
Robb lembra ainda que o próprio Noel Gallagher sempre foi influenciado pelo ambiente de estádio, já que frequentava as arquibancadas do Maine Road para assistir ao Manchester City na juventude.

O sonho do topo das paradas e do título mundial
Curiosamente, Wonderwall nunca alcançou o topo da parada oficial do Reino Unido quando foi lançada em 1995, sendo barrada na época pelo duo Robson & Jerome. Agora, impulsionada pelo efeito viral da Copa do Mundo, a música já retornou ao Top 40 britânico na última semana.
Se a Inglaterra quebrar o jejum de 60 anos sem títulos mundiais na grande final em Nova York, a canção icônica do Britpop poderá, finalmente, alcançar o primeiro lugar que o destino lhe tirou há três décadas.
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