Santa Catarina: Sexismo em prefeitura, vice-prefeita não deixa passar em branco

Quando a cadeira vazia fala mais alto
Vice-prefeita não deixa passar em branco atitude sexista
Foto: Vice-prefeita não deixa passar em branco atitude sexista

Vice-prefeita não deixa passar em branco atitude sexista

Há situações que dispensam grandes discursos para revelar tudo o que precisam revelar. Uma mulher eleita pelo voto popular chega ao seu primeiro dia de trabalho como vice-prefeita e não encontra sequer uma sala. Nenhuma mesa. Nenhum espaço. Como se o cargo que a população lhe conferiu fosse apenas uma formalidade incômoda a ser ignorada.

Mas Suelen Geremia (MDB) não ignorou. E fez exatamente o que qualquer profissional deveria fazer diante de uma violação de direitos: formalizou. Deu um prazo. Deixou registrado. E no documento, foi direta ao ponto: impedir uma mulher de exercer seu trabalho é um crime contra a mulher. Simples assim. Sem rodeios, sem a tradicional diplomacia que tantas vezes se exige das mulheres quando confrontam o poder masculino.

A resposta do prefeito (PL), segundo ela, foi reclamar que a vice buscava órgãos e entidades sem a sua autorização. Como se uma vice-prefeita eleita precisasse de permissão para trabalhar. Como se o mandato que o eleitorado lhe deu fosse subordinado ao humor do seu par de chapa.

Essa dinâmica não é nova. E não é exclusiva de Porto União. É o velho roteiro de sempre: a mulher ocupa um espaço de poder e imediatamente encontra resistência velada, pequenas humilhações cotidianas, mecanismos invisíveis de esvaziamento da sua autoridade. Não é um gesto grandioso e facilmente denunciável. É a sala que não existe. É o corredor onde pessoas são tratadas de forma indelicada ao procurá-la. São as microagressões que, somadas, formam uma muralha.

O que chama atenção na postura de Suelen é a recusa em se dobrar. Quando o espaço institucional foi usado contra ela, ela simplesmente criou novos espaços. Passou a atender nos postos de gasolina, nos bairros, no interior, na casa das pessoas. Transformou a exclusão em mobilidade. O que deveria ser uma derrota virou método.

E quando acusam de ter abandonado a cidade? Ela responde com a clareza de quem sabe exatamente o que está fazendo: “não fui embora, continuo aqui.”

Vice-prefeita não deixa passar em branco atitude sexista
Vice-prefeita não deixa passar em branco atitude sexista

As mulheres que chegam ao poder em 2025 não chegam mais dispostas a sorrir enquanto são empurradas para fora. Não chegam para agradecer o espaço que lhes foi “concedido”. Chegam sabendo que o espaço é delas por direito, por voto, por mérito — e que qualquer tentativa de minorá-las será enfrentada com nome, data e ofício protocolado.

O sexismo institucional existe, opera e machuca. Mas encontra cada vez mais mulheres que se recusam a fingir que não.

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