Schützenverein e comunidade: A tradição viva da Sociedade Vitória

A Sociedade Vitória mantém viva a tradição do Schützenverein em Jaraguá do Sul, fortalecendo laços culturais e comunitários através de eventos, história e integração social.
Schützenverein
Foto: divulgação | Ademir Pfiffer
Ademir Pfiffer – Historiador, para o Jornal do Vale do Itapocu/Observa+

Fundada em 1943, no coração do Conjunto Rural Rio da Luz, a Sociedade Vitória é uma das guardiãs da tradição do schützenverein em Jaraguá do Sul. Inspiradas nas antigas sociedades de tiro alemãs, essas entidades preservam muito mais do que a prática esportiva: representam um modo de vida, um espaço de convivência, de música, de culinária e de fortalecimento comunitário.
Mário de Andrade já afirmava que “o patrimônio não é apenas a pedra ou a letra, mas a alma de um povo que resiste no tempo”. Essa ideia encontra eco no espírito da Sociedade Vitória, que mantém viva a memória cultural germânica e pomerana em Jaraguá do Sul.

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O Evento: Festa de Rei e Rainha 2025

No dia 13 de setembro de 2025, a sede da Sociedade Recreativa Vitória foi palco de uma das celebrações mais emblemáticas da cultura germânica: a Festa de Rei e Rainha, tradição herdada do schützenverein e transmitida de geração em geração.

As Majestades

Reiner e Lourdes Günther Modro – o casal coroado como Rei e Rainha. Pomeranos-brasileiros, têm longa trajetória de participação comunitária: já foram majestades na Associação Cultural Salão Barg e na Sociedade Independência. Reiner Modro também é ex-presidente do Clube Atlético Baependi e da Comunidade Luterana Centro de Jaraguá do Sul, além de músico e presença ativa em clubes de tiro ao alvo e bolão no Vale do Itapocu.

Ingo e Renilda Bast – 1º Cavaleiro e 1ª Princesa. Associados de longa data da Sociedade Vitória, representam a continuidade da tradição no núcleo familiar e comunitário.

Hebert e Kelly Schulz – 2º Cavaleiro e 2ª Princesa. O casal já ostentou títulos de Rei e Rainha tanto na própria Sociedade Vitória quanto na Sociedade 25 de Julho, reforçando os laços culturais entre entidades coirmãs.

divulgação | Ademir Pfiffer

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Dirigentes e Lideranças

Sido Hornburg, presidente da Sociedade Vitória, abriu a solenidade destacando a importância da união entre os associados e o fortalecimento da identidade cultural.
Ademir Pfiffer, historiador, trouxe uma narrativa sobre a trajetória de Reiner Modro, ressaltando sua liderança em diferentes entidades comunitárias e sua dedicação à preservação cultural.

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divulgação | Ademir Pfiffer

O Ritual e a Festa

A programação iniciou às 18h, com concentração social, seguida do desfile folclórico às 19h, liderado pelo bandeiro Ademir Erdmann e pela comandante de marcha Marlete Hornburg Harje, que conduziram o cortejo das majestades, sob os sonoros folclóricos da Banda La Montanara.


A noite seguiu com jantar típico, preparado pela equipe tradicional da Sociedade Vitória, composta por assadores, cozinheiras e colaboradoras do Rio da Luz. O cardápio contou com aipim frito, maionese, saladas diversas, sobremesa e carnes assadas, evidenciando a forte tradição culinária da comunidade.


Na animação musical, a presença marcante da Banda La Montanara, de Poço das Antas (RS), trouxe o espírito do Hunsrück, região do Vale do Taquari, com repertório de valsas, polcas e marchinhas que evocaram a herança germânica em sintonia com a festa catarinense.

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O Rio da Luz como Paisagem Cultural

O cenário da festa não é apenas um espaço físico, mas parte de um território oficialmente reconhecido como patrimônio cultural do Brasil. Em 2013, a Portaria nº 69 do IPHAN declarou o Conjunto Rural do Rio da Luz como Paisagem Cultural Brasileira, devido à sua singularidade histórica, etnográfica e arquitetônica.


Esse reconhecimento valoriza não apenas o paisagismo rural, marcado por jardins, hortas e práticas agrícolas tradicionais, mas também as edificações teuto-brasileiras em estilo enxaimel (fachwerk). O enxaimel, com sua estrutura de madeira aparente preenchida por tijolos ou taipa, não é apenas uma técnica construtiva, mas um símbolo de identidade coletiva: expressa a solidariedade comunitária no erguer das casas, a estética herdada da Alemanha e o sentimento de pertencimento ao território.


Assim como o schützenverein reúne famílias em torno de valores de amizade, disciplina e tradição, o fachwerk reúne no espaço físico a memória e a identidade cultural da comunidade. A festa e a arquitetura se completam: enquanto o baile, a música e o tiro ao alvo animam a vida social, as casas em enxaimel guardam silenciosamente a história e a permanência dos descendentes de imigrantes no Vale do Itapocu.


Mário de Andrade lembrava que “o Brasil só se entende no plural de suas culturas”. O Rio da Luz, com seu conjunto rural preservado, mostra justamente como a herança teuto-brasileira é parte indissociável desse mosaico nacional.

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Considerações Finais

A Festa de Rei e Rainha da Sociedade Vitória não foi apenas um encontro social, mas um testemunho da vitalidade do schützenverein em Jaraguá do Sul. Cada detalhe – das majestades escolhidas à música típica, da cozinha comunitária às falas de seus dirigentes – reforçou o valor simbólico do evento.


Na figura de Reiner e Lourdes Günther Modro, a comunidade reconhece não apenas líderes, mas guardiões da memória pomerana e alemã, cuja trajetória entrelaça esportes, fé, música e associativismo. A eles se somam cavalheiros, princesas, dirigentes e voluntários que dão vida à tradição.


Assim, a Sociedade Vitória reafirma sua relevância como espaço de resistência cultural, preservando e renovando uma herança de mais de oito décadas. O “schützenverein”, longe de ser apenas um esporte, continua a ser um elo de identidade, pertencimento e continuidade histórica para o Rio da Luz e para Jaraguá do Sul — em perfeita harmonia com as paisagens rurais e as casas de enxaimel que moldam a memória e a identidade teuto-brasileira da região.

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