Santa Catarina não é colônia da família Bolsonaro
Nunca simpatizei com a deputada estadual Ana Campagnolo, tampouco com a deputada federal Caroline de Toni. Considero que ambas têm discursos rasos demais para se apresentarem como defensoras da direita.
No entanto, justiça seja feita: as duas estão absolutamente certas ao se posicionarem contra a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.
Mas entre as parlamentares catarinenses, também há divergências. A deputada estadual Ana Campagnolo isenta o governador Jorginho Mello, atribuindo as imposições à influência direta de Carlos Bolsonaro. Já a deputada federal Caroline de Toni adota posição oposta: defende a família Bolsonaro e responsabiliza o governador pela quebra de compromissos políticos.
O episódio expõe não apenas a fragmentação interna do campo conservador em Santa Catarina, mas também a crescente disputa por influência dentro do bolsonarismo regional.
Deixo claro que tudo aqui é minha opinião sobre os fatos que estão rolando em todas as mídias.
Está nítido que Jair Bolsonaro enxerga o estado como uma espécie de colônia pessoal — um território onde manda e desmanda. De certo modo, pode até ser verdade, já que o atual governador dificilmente teria sido eleito sem o apoio do então presidente. Soma-se a isso uma legião de seguidores que colocam a ideologia acima das reais necessidades do estado — os mesmos que demonstraram incapacidade mental ao eleger o filho mais novo do ex-presidente, um vereador inexpressivo em Balneário Camboriú.
Deixo claro que, entre Lula e Bolsonaro, minha escolha é Bolsonaro. Contudo, a falta de respeito com Santa Catarina ultrapassou os limites. Nossos senadores precisam viver aqui, conhecer a realidade local e entender as demandas do povo catarinense. Mesmo assim, na última eleição, por causa da indicação do Bolsonaro acabamos elegendo um senador inútil.
É preciso compreender que Santa Catarina é, sim, um estado conservador. Um estado de trabalhadores, cuja maioria valoriza a ética e a fé cristã, aproximando-se muito mais da cultura europeia do que do restante do país. Santa Catarina é isso — e não o parque de diversões da família Bolsonaro.
Estamos perdidos: a esquerda insiste em rotular o estado como “nazifascista”, enquanto a direita o trata como brinquedo político. Chegou a hora de exigir respeito de todos os lados. E, para isso, nossos representantes conservadores precisam ser, de fato, catarinenses.
Pessoalmente, até posso considerar votar em Caroline de Toni, mas em Carlos Bolsonaro, jamais. Tenho profundo respeito pela terra que me acolheu e sempre me tratou tão bem.
Agora, resta saber se o governador de Santa Catarina será um pit bull — defensor do estado e do conservadorismo — ou um vira-lata caramelo abanando o rabo para Bolsonaro.
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