PSD – Ratinho Jr. recua e João Rodrigues “soma” no horizonte
No teatro da política brasileira, o espetáculo do “pré-candidato” é sempre o mesmo: muita pose, vídeos virais com trilhas de impacto e promessas de um novo Brasil. Mas, quando chega a hora do “pega pra capá”, a bravura dá lugar à calculadora. A notícia da semana é a desistência de Ratinho Jr. (PSD) da corrida presidencial. O governador do Paraná, que até ontem era a grande esperança da “terceira via” ou de uma direita moderada, resolveu que o melhor é terminar o mandato no conforto de Curitiba e, quem sabe, voltar a cuidar dos negócios da família. Surpresa? Para quem conhece o PSD de Gilberto Kassab, nem um pouco.
Ratinho Jr. e o PSD: O Jogo de Comadres com o PT
Não sejamos ingênuos. O PSD é o partido que consegue estar no governo, na oposição e no muro — tudo ao mesmo tempo. Ratinho Jr. sabe que bater de frente com o atual Governo Federal (PT) sendo do mesmo partido que ocupa ministérios em Brasília é um exercício de equilibrismo que ele não está disposto a fazer. Pedir voto para a “pseudo-esquerda” enquanto flerta com o eleitorado conservador do Paraná seria um suicídio político local. No fim, Ratinho preferiu o certo pelo duvidoso: sai de cena nacional antes mesmo de entrar, mantendo o PSD como o fiel da balança (ou o “puxadinho de luxo”) do governo de plantão.
João Rodrigues: do viral ao invisível
E por falar em sumiço, o que está acontecendo no Oeste catarinense? João Rodrigues, o prefeito de Chapecó que adorava um vídeo polêmico e visualizações aos milhões, agora parece estar vivendo a fase “salário de aposentado”: a gente sabe que existe, mas ninguém vê; e quando aparece, some rápido.
A manchete de que “João Rodrigues cancela evento de renúncia” caiu como uma ducha de água fria nos entusiastas de sua candidatura ao Governo de SC. O argumento? Falta de hotéis em Chapecó devido à feira Mercoagro. Ora, convenhamos: para um político que se vende como realizador, não conseguir um espaço para um anúncio de renúncia soa mais como desculpa de quem está com o “pé atrás”.
O medo da urna e o conforto do cargo
Será que João Rodrigues vai seguir o exemplo de Ratinho e “embarcar nesse voo” de desistência? Ele tem um nome tão forte quanto o do atual governador Jorginho Mello, mas parece que a coragem de largar a prefeitura e se lançar ao incerto está minguando.
O barulho fora de hora é fácil de fazer. O difícil é sustentar o discurso quando o prazo da desincompatibilização bate à porta. Ratinho Jr. já mostrou que prefere a segurança do palácio paranaense. Se João Rodrigues seguir o mesmo roteiro, confirmará que a direita “barulhenta” das redes sociais treme quando o jogo se torna profissional e os interesses do partido de Kassab falam mais alto que os vídeos de WhatsApp.
No final das contas, o eleitor fica com a sensação de que foi apenas mais um voo de galinha: muita asa batendo, muita poeira subindo, mas o pé nunca sai do chão.

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