Pesquisa sem registro expõe risco de manipulação eleitoral em SC
Uma pesquisa supostamente realizada pela empresa Neokemp começou a circular nas redes sociais trazendo números para o Governo do Estado e para o Senado Federal em Santa Catarina. O problema é que o levantamento não possui registro no Tribunal Superior Eleitoral, não apresenta estatístico responsável, não detalha metodologia, não informa margem de erro real e não disponibiliza plano amostral — todos itens obrigatórios por lei.
Sem esses elementos, esse tipo de material deixa de ser pesquisa e passa a ser propaganda eleitoral disfarçada de dado técnico, com potencial de influenciar o eleitor e distorcer o debate público.
Disputa ao Governo de Santa Catarina (Cenário divulgado)
A seguir, o gráfico utilizado na divulgação da pesquisa:
Gráfico – Governo de SC (Cenário 1)
Segundo esses dados:
- Jorginho Mello (PL) – 39,5%
- João Rodrigues (PSD) – 19,2%
- Décio Lima (PT) – 13,2%
- Adriano Silva (NOVO) – 8,7%
- Não sabe – 13,5%
- Branco/Nulo – 5,8%
Apesar de apresentar números, o gráfico não possui qualquer respaldo técnico, tornando impossível verificar sua credibilidade.
Pesquisa para o Senado em Santa Catarina
A mesma pesquisa apresentou resultados para o Senado, igualmente sem registro ou validação. Abaixo, seguem os gráficos reais que você solicitou, gerados com os números informados:
Cenário 1
- Caroline de Toni (PL): 25,4%
- Carlos Bolsonaro (PL): 21,6%
- Décio Lima (PT): 17,8%
- Esperidião Amin (PP): 14,1%
- Não sabe: 14,0%
- Branco/Nulo: 7,1%
Cenário 2
- Caroline de Toni (PL): 30,4%
- Carlos Bolsonaro (PL): 21,1%
- Décio Lima (PT): 17,7%
- Esperidião Amin (PP): 10,6%
- Gilson Marques (NOVO): 3,3%
- Não sabe: 10,5%
- Branco/Nulo: 6,5%
Segundo voto (duas vagas em 2026)
- Caroline de Toni: 23,1%
- Esperidião Amin: 20,6%
- Carlos Bolsonaro: 17,8%
- Décio Lima: 13,7%
- Gilson Marques: 4,7%
- Não sabe: 12,2%
- Branco/Nulo: 7,8%
A ausência de metodologia impossibilita identificar se os números refletem a realidade ou são apenas narrativas fabricadas para impulsionar nomes específicos — especialmente figuras de fora do Estado.
O ponto mais estranho?
A presença de Carlos Bolsonaro, carioca, levantando bandeira de “chapa pura” e tentando construir relevância política em SC.
Pesquisas eleitorais influenciam:
- percepção de competitividade,
- comportamento de indecisos,
- captação de recursos,
- força de campanhas,
- voto útil.
Quando um levantamento não é registrado e não apresenta estatístico, ele não é apenas duvidoso:
ele é ilegal para divulgação eleitoral e serve para manipular a opinião pública.
Santa Catarina já passou por isso. Pesquisas fantasiosas que apontavam “favoritos” nas eleições de Jaraguá do Sul se mostraram completamente dissociadas da realidade verdadeiros vexames estatísticos usados para tentar criar uma narrativa eleitoral inexistente.
E o cenário político real em SC?
É possível que:
- Jorginho esteja na frente? Sim.
- João Rodrigues cresça com força, caso entre na disputa? Muito provável.
- Amin, Adriano ou Décio tenham seus nichos de eleitorado? Sim.
Mas sem metodologia séria, nenhum desses números pode ser levado a sério.
O catarinense não quer aventureiros, turistas políticos ou ensaios de laboratório eleitoral. Quer trabalho real, liderança real e representatividade genuína — não panfletos mascarados de pesquisa.
A importância de pesquisas sérias e transparentes
Toda pesquisa eleitoral verdadeira deve apresentar:
- Registro no TSE
- Estatístico responsável (CONRE)
- Metodologia completa
- Amostragem detalhada
- Margem de erro real
- Critérios de seleção
- Origem da remuneração
- Formato de coleta
Sem isso, a pesquisa não existe — existe apenas a tentativa de influenciar você, eleitor.
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