O eco dos atiradores | Por: Ademir Pfiffer – Historiador, exclusivo ao Portal Observa+ e JVI
A história de Jaraguá do Sul é escrita pelo som das marchas, pelo aroma do café colonial e pelo impacto dos Schützenvereine (sociedades de atiradores) na formação da identidade comunitária. No sábado, 31 de janeiro, a sede social da Sociedade Desportiva e Recreativa Amizade não foi apenas o palco da tradicional Königfest de Valdecir Gonçalves; foi, acima de tudo, uma celebração da herança deixada por pioneiros. O evento reafirmou que a cultura europeia, sobretudo a pomerana e a alemã, permanece pulsante, conectando o presente ao sonho visionário que deu origem ao município.
Para compreender a magnitude de eventos como a Königfest, é preciso resgatar a figura de Emílio Carlos Jourdan. Europeu natural de Namur, na Bélgica, Jourdan foi o concessionário das terras da Princesa Isabel e do Conde D’Eu, sendo reconhecido historicamente como o fundador de Jaraguá do Sul, em 1876. Foi a sua atuação como engenheiro e visionário que transformou a densa mata das margens do Rio Itapocu em um palco para a civilização europeia. Graças à abertura desses caminhos, a região em torno da antiga Estrada Itapocu-Hansa — atual Rua Roberto Ziemann — pôde florescer.

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Neste cenário de desenvolvimento, famílias de origem pomerana e alemã estabeleceram suas raízes ao longo da artéria que conectava a antiga colônia Hansa (hoje Corupá) ao centro da nova vila. Para esses imigrantes e colonizadores, a vida social era o pilar da sobrevivência cultural. Fundada oficialmente em 1954, mas com raízes no costume secular desses primeiros colonos, a Sociedade Amizade tornou-se o epicentro dessa convivência. Sua importância é tamanha que o bairro, um dos primeiros da cidade, foi batizado em sua homenagem.
A celebração deste último sábado honrou essa linhagem. A tarde iniciou com a concentração dos sócios, seguida pela solene ritualística folclórica de busca das majestades — um rito que preserva o respeito aos atiradores e à hierarquia histórica da entidade associativista e integrada ao Plano Municipal de Cultura (PMC). Entre homenagens e as competições de tiro, o espírito comunitário foi renovado. A corte de honra foi composta com distinção pelos senhores Neilor Lafin (1º Cavalheiro) e Joney Marozini (2º Cavalheiro).
A atmosfera foi completada pela musicalidade da Banda Collibry, de Guaramirim, que trouxe um repertório de sonoros germânicos e regionais. Paralelamente, a gastronomia serviu como um elo sensorial com os antepassados: um rico café colonial onde o tradicional strudel e os pães servidos com o clássico kochkäse (queijo cozido) celebraram o paladar que Jourdan e os colonos trouxeram do Velho Mundo.

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Considerações Finais
A Königfest na Sociedade Amizade é mais que um evento festivo; é um ato de preservação da “Jaraguá de Jourdan”. Ao manter vivos os rituais de busca de majestades e ao reunir as famílias em torno da mesa e do tiro esportivo, a comunidade do bairro Amizade honra o legado do fundador belga e a resiliência dos imigrantes e colonizadores germânicos. Em 2026, a tradição mostra-se como uma força viva que continua a promover a união e o orgulho de pertencer a uma terra de raízes profundas e valores compartilhados.
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