Memorial dos 150 anos terá empresa construtora conhecida ainda em março
Saiba detalhes sobre a licitação da Ponte da Contemplação, o novo Memorial dos 150 Anos de Jaraguá do Sul. Empresa vencedora será conhecida ainda em março de 2026.
A Administração Municipal de Jaraguá do Sul publicou o Edital de Concorrência Eletrônica nº 036/2026, para a execução da Ponte da Contemplação, oficialmente denominada Memorial de Celebração dos 150 Anos, com prazo de execução de 210 dias, a partir da emissão da ordem de serviço. O valor máximo do contrato é de R$ 6.772.044,26. As propostas serão abertas no dia 13 de março, como item único, em razão da característico indivisível da obra, onde há execução de serviços específicos que demandam a simultaneidade do material e mão de obra.
O projeto integra as ações comemorativas de aniversário da cidade e propõe a criação de um novo marco urbano, simbólico e turístico. O Memorial foi concebido como espaço de permanência e contemplação. A proposta arquitetônica transforma a ponte em um equipamento urbano voltado à reflexão, ao encontro e à valorização da identidade local. A travessia será destinada exclusivamente a pedestres e ciclistas desmontados da bicicleta.
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Trata-se de uma ponte estaiada, sustentada por cabos ancorados em um pilar central que já existe no leito do Rio Itapocu, conferindo leveza visual ao projeto e reduzindo intervenções nas margens do rio. O pilar central também terá forte valor simbólico, conectando passado, presente e futuro de Jaraguá do Sul. “A proposta reforça a ideia de integração e continuidade histórica”, explica o secretário de Planejamento e Urbanismo, Anselmo Luiz Jorge Ramos.
O edital contempla ainda a revitalização da Praça da Contemplação. O entorno receberá novo paisagismo, mobiliário urbano e iluminação cênica. Também serão criadas áreas de convivência que ampliam o uso do espaço público. “O Memorial também abrigará uma Cápsula do Tempo. O recipiente reunirá mensagens e objetos representativos da cidade atual. A abertura da cápsula ocorrerá quando o município completar 200 anos. Com o Memorial, Jaraguá do Sul projeta um novo ponto de referência urbana”.
Brugnago e Tomaselli: imigrantes italianos lideraram a construção do icônico pilar
O aproveitamento do pilar da velha ponte Abdon Batista, construído em pedra em 1913, no leito do rio Itapocu, sob uma laje de pedra que lhe confere estabilidade e segurança, é aguardado há décadas. Com mais de um século de existência e enfrentando várias enchentes no curso de sua existência, jamais cedeu um milímetro sequer. Está lá forte, incólume, desafiando o tempo e registrando o passado da cidade sesquicentenária.
O pilar foi tombado pelo Decreto 9.035/2012, de 17 de dezembro de 2012, como Patrimônio Histórico Cultural de Jaraguá do Sul. Seus construtores foram dois imigrantes italianos vindos de Vallada Agordina, Província de Belluno: Giovanni Brugnago, conhecido como Domênico (ou Domingos) e Giovanni Maria Matteo Tomaselli, conhecido como João Tomaselli.
Arquivo de família
O professor Emílio da Silva, quando escreveu o segundo livro de Jaraguá – Um capítulo da povoação do Vale do Itapocu, registrou que “da velha ponte metálica, resta apenas o artístico pilar central, que permanece solitário, à espera de nele ser erigido algo de atrativo aos visitantes que vierem participar do ano 100 da fundação da Colônia Jaraguá”.
Não se concretizou na época, mas no ano 150, ele vai ganhar uma bela ponte estaiada, onde o pilar central, além de histórico, será suporte das estruturas metálicas que serão colocadas para passagem de pedestres e ciclistas desembarcados.
O projeto une modernidade e nostalgia. A estrutura que por décadas enaltece o cenário do rio Itapocu, vai ganhar companhia e contemplação. Pedreiros por profissão, aprendida nas montanhas dolomitas onde nasceram e depois, com a maioridade, Domênico Brugnago e João Tomaselli buscaram empregos em países europeus, antes de embarcar para a sonhada América, com os familiares.
Vieram para a Colônia do Vale do Rio Luiz Alves, que em 2027 também completa os 150 anos. Domênico Brugnago nasceu em 14 de abril de 1867, filho de Cipriano Antônio Brugnago e Maria Giuseppina de Prá, que tinham 26 e 28 anos quando imigraram para o Brasil, particularmente a Colônia Luiz Alves, com o vapor Bourgogne, a partir de Gênova, em 28 de dezembro de 1885.
Eles tiveram cinco filhos e Giovanni (Domênico) era o primeiro deles. Ele veio para o Brasil meses depois dos pais, pois com 19 anos buscava trabalho em outros países, longe da depauperada região italiana onde nasceu. Embarcou em um cargueiro que vinha para o sul do Brasil do porto de Antuérpia, na Bélgica, para encontrar-se com os pais, os quatro irmãos e outros parentes, em Luiz Alves.
Teve quatro filhos do primeiro casamento com Clementina Trevisani, que faleceu jovem, aos 27 anos, no ano de 1900. O casamento aconteceu em 3 de maio de 1892, na Igreja São Pedro Apóstolo, de Gaspar. Um dos filhos do primeiro casamento, Antônio Brugnago, voluntariou-se e serviu o exército italiano na 1ª Guerra Mundial. Está sepultado em Corupá.
Da família – primos – cinco atenderam ao chamado do governo italiano para lutar pela Itália. Um deles não voltou. O histórico dos cinco brasileiros da primeira geração, filhos de imigrantes de Luiz Alves, está registrado no livro “Da Vallada ai campi di battaglia – Uomini e soldati di uma comunitá delle dolomiti dall’ottocento ala Grande Guerra”, que recebeu a contribuição do jornalista Flávio José Brugnago, do Jornal do Vale do Itapocu e Portal Observamais.
Flávio José, filho de Elias e Carolina Rosa (Luchetta), é neto de Domênico Brugnago, o construtor do histórico pilar, junto com Giovanni Maria Matteo Tomaselli, o João abrasileirado, e outros trabalhadores.
Domênico, uma vida, uma história e uma obra eternizada para os jaraguaenses
Domênico Brugnago tinha espírito aventureiro. Além de exímio trabalhador com pedras – construiu o primeiro bueiro de Jaraguá do Sul, no ano de 1931 (era intendente R. Marquardt e fiscal de obra G. Häring), fazia trabalhos nas grandes obras, como na construção da estrada de ferro a partir de São Francisco do Sul, até a serra do mar, inclusive nos túneis e nas pontes da rede férrea.
O jovem viúvo que perdeu a mulher em 1900, casou-se em segundas núpcias com outra imigrante de Vallada Agordina, Rosa Giovanna Andrich, nascida em 1873 e falecida em 1937. Eles se casaram no dia 20 de março de 1902, em Gaspar, na mesma igreja do primeiro casamento e tiveram mais sete filhos.
Arquivo de família
Enquanto estava nas frentes de trabalho como contratado, a família permaneceu na roça, em Luiz Alves, atual 2º Braço do Norte. Por volta de 1920, mudou-se para Jaraguá, que ainda não era município, onde hoje é o bairro Vila Nova. Depois da segunda viuvez, em 1937, permaneceu trabalhando como pedreiro e alveneiro e terminou seus dias com a família.
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Morreu no dia 6 de maio de 1959, aos 92 anos, em Jaraguá do Sul. Está sepultado junto com a esposa Rosa Andrich, no Cemitério Municipal do centro. O reuso do icônico pilar tombado pelo patrimônio histórico municipal para a ponte estaiada para pedestres e ciclistas desembarcados, é uma homenagem aos construtores dessa verdadeira obra de arte, à jusante da Ponte Abdon Batista.
A propósito, vale o registro do historiador Emílio da Silva, ao jornalista Flávio José, de que o “velho Brugnago tinha uma força e uma destreza incomuns no seu ofício”. Como contemporâneo, o mestre Emílio dizia que Domênico escolhia um pedaço de rocha, observava o tamanho e em algumas rolagens fazia o encaixe perfeito na estrutura, como se observa hoje.
Este é um breve resgate de um dos construtores do pilar. A estrutura da ponte, inaugurada em 1913, coincidiu com o nascimento de um dos seus filhos, João Brugnago.
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