Nos últimos meses, uma narrativa ganhou força nas redes sociais e nos bastidores de Brasília: a de que a Rede Globo, antigo alvo de críticas ferrenhas do presidente Lula e do PT, teria “feito as pazes” com o governo federal em troca de verbas publicitárias milionárias.
Os dados oficiais da Secretaria de Comunicação Social (Secom) confirmam uma guinada impressionante: nos primeiros anos do governo Lula (2023-2024), o Grupo Globo recebeu cerca de R$ 461,5 milhões em publicidade estatal. O valor representa um aumento de 102% se comparado ao mesmo período da gestão Bolsonaro, que priorizava concorrentes como Record e SBT.
Porém, ao colocar esses “milhões” lado a lado com o faturamento colossal da família Marinho, a tese da “dependência financeira” cai por terra. Vamos aos números.
O “Oceanos” de Receitas da Globo
Para entender o impacto real do dinheiro público, é preciso olhar para o balanço financeiro do Grupo Globo.
- Em 2023, a receita líquida do grupo foi de R$ 15,13 bilhões.
- Em 2024, impulsionada por novos negócios e publicidade digital, essa receita saltou para cerca de R$ 16,4 bilhões, com um lucro líquido que girou na casa dos R$ 2 bilhões.
A Conta que Importa: 1%
Quando pegamos o valor repassado pelo governo Lula em 2024 (aproximadamente R$ 170 milhões) e dividimos pelo faturamento total da empresa no mesmo ano (R$ 16,4 bilhões), o resultado é revelador:
A verba do governo federal representa apenas cerca de 1% de tudo o que a Globo fatura.
Ou seja, de cada R$ 100,00 que entram no caixa da emissora, apenas R$ 1,00 vem do governo Lula. Os outros R$ 99,00 vêm de assinaturas (Globoplay, Premiere), grandes anunciantes privados (bancos, varejo, montadoras) e venda de conteúdo.
Por que o governo paga tanto, então?
Se o dinheiro não serve para “comprar” a emissora, por que o governo Lula aumentou os repasses? A justificativa oficial é técnica: a Secom alega que a distribuição de verbas voltou a seguir os critérios de audiência.
- Como a Globo sozinha detém frequentemente mais audiência que a soma de todas as concorrentes abertas, é natural que, em uma distribuição técnica, ela receba a maior fatia do bolo para que as campanhas de vacinação ou utilidade pública atinjam mais pessoas.
- Na gestão anterior, a lógica era muitas vezes pulverizada para privilegiar canais alinhados ideologicamente, mesmo que tivessem menos telespectadores.
Negócio é Negócio
É inegável que R$ 460 milhões são uma quantia respeitável e que nenhuma empresa rasgaria dinheiro. O montante ajuda a fechar as contas, especialmente em tempos de reestruturação midiática. No entanto, afirmar que a Globo depende desse dinheiro para sobreviver ou que sua linha editorial está refém de 1% do seu faturamento é ignorar a magnitude do império midiático que ela ainda representa.
A Globo não precisa do governo para lucrar bilhões; mas o governo, para falar com a massa, ainda parece precisar da Globo.
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