Uma mudança silenciosa na rotina profissional das pessoas é frequente. Passou-se a trabalhar, cada vez mais, “por aí, em todo lugar”.
O escritório da gente deixou de ser um espaço fixo e planejado, para ocupar mesas de lojas de conveniência, cafeterias, praças de alimentação, salas de espera, aeroportos e, até, bancos de praças.
E, interessante, é que com essa nova dinâmica, os relatórios continuam sendo escritos, os projetos seguem sendo analisados, as reuniões acontecem normalmente e decisões continuam sendo tomadas no mesmo ritmo de antes ou, até, mais rapidamente.
Mas, será que o desempenho profissional permanece realmente o mesmo, quando se troca um escritório cuidadosamente planejado por um ambiente público, em meio ao movimento de pessoas ?
A pergunta envolve uma área inteira de estudos, que reúne arquitetura, psicologia, ergonomia, neurociência e administração. Afinal, o ambiente nunca é neutro. Ele conversa conosco o tempo inteiro, mesmo quando não se percebe.
Por isso, durante décadas, as empresas investiram milhões na criação de escritórios considerados ideais, não apenas por questões estéticas, mas por haver uma lógica por trás de cada detalhe.
A iluminação, cuidadosamente dimensionada para reduzir a fadiga visual. As cadeiras, buscando minimizar lesões musculares. A climatização, procurando manter uma temperatura confortável. O isolamento acústico, evitando distrações. A disposição dos móveis, favorecendo determinados fluxos de trabalho. E cores das paredes, escolhidas para transmitir calma, criatividade ou concentração. Nada disso por acaso.
Considerando que o cérebro humano está permanentemente processando estímulos ambientais pode – quando o trabalho acontece em público – sobrar menos energia para aquilo que realmente importa.
De qualquer maneira, nunca foi tão fácil trabalhar de qualquer lugar. Contudo, os estímulos destes ambientes diversos podem levar a um cansaço desproporcional ao que realmente se produz.
Ao mesmo tempo, há um aspecto interessante. Nem sempre ambientes movimentados são prejudiciais. Há pessoas que se estimulam criativamente, em ambientes de ruído moderado, pois criatividade e análise profunda não utilizam exatamente os mesmos recursos mentais.
Talvez, então, a conclusão possa ser: o escritório moderno pode, de fato, estar em qualquer lugar. Porém, nossa mente continua precisando de condições adequadas para entregar o seu melhor.
Ou seja, a tecnologia tornou o trabalho portátil; a natureza humana, entretanto, permanece essencialmente a mesma. Assim, quem compreender essa diferença conseguirá extrair o melhor dos dois mundos: a liberdade de trabalhar onde estiver e a sabedoria de reconhecer que o espaço ao nosso redor também participa, silenciosamente, de cada decisão, de cada ideia e de cada resultado alcançado.
E viva o “transit office” !!!
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