EUA x Irã: entenda a guerra de 2026 e as raízes de 70 anos de conflito
O conflito entre os Estados Unidos e o Irã é resultado de uma longa sequência de acontecimentos históricos, políticos e estratégicos ao longo de mais de sete décadas. A tensão não surgiu de um único episódio, mas de uma série de eventos que transformaram dois países que já tiveram relações próximas em adversários.
Um dos pontos centrais dessa história ocorreu em 1953, durante a Operação Ajax. Naquele ano, a Central Intelligence Agency (CIA), dos Estados Unidos, junto com o serviço secreto britânico, apoiou um golpe que derrubou o primeiro-ministro iraniano Mohammad Mossadegh. Mossadegh havia nacionalizado o petróleo iraniano, que até então era fortemente controlado por interesses estrangeiros. Após o golpe, o xá Mohammad Reza Pahlavi foi fortalecido no poder e governou o país com apoio político e militar dos Estados Unidos por mais de duas décadas.
Essa relação mudou drasticamente em 1979 com a Revolução Iraniana. O movimento derrubou o regime do xá e estabeleceu uma república islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. O novo governo passou a adotar uma postura fortemente crítica aos Estados Unidos, acusando o país de interferência política e exploração econômica.
No mesmo ano ocorreu a Crise dos reféns no Irã, quando estudantes revolucionários ocuparam a embaixada americana em Teerã e mantiveram 52 diplomatas e cidadãos americanos como reféns por 444 dias. O episódio rompeu oficialmente as relações diplomáticas entre os dois países.
Nas décadas seguintes, o conflito se intensificou por meio de disputas indiretas no Oriente Médio. Os Estados Unidos acusam o Irã de apoiar grupos armados em diferentes países da região, enquanto o Irã afirma que busca ampliar sua influência e resistir à presença militar americana. Esse cenário envolve conflitos em países como Iraque, Síria, Líbano e Iêmen.
Outro fator central de tensão é o programa nuclear iraniano. Em 2015 foi assinado o Acordo Nuclear com o Irã entre o Irã e várias potências mundiais, incluindo os Estados Unidos. O acordo limitava o enriquecimento de urânio em troca da retirada de sanções econômicas. Em 2018, porém, o governo do presidente Donald Trump retirou unilateralmente os Estados Unidos do acordo e restabeleceu sanções contra o Irã, aumentando novamente a tensão entre os dois países.
As tensões também se manifestaram em confrontos diretos. Em 2020, os Estados Unidos realizaram um ataque aéreo em Bagdá que matou o general iraniano Qasem Soleimani, um dos principais líderes militares do país. O Irã respondeu com ataques de mísseis contra bases militares que abrigavam tropas americanas no Iraque.
Assim, o conflito entre Estados Unidos e Irã é resultado de fatores históricos, estratégicos e ideológicos: a interferência política no Irã durante a Guerra Fria, a ruptura causada pela Revolução Iraniana, disputas de influência no Oriente Médio e divergências sobre o programa nuclear iraniano. Esses elementos, acumulados ao longo de décadas, explicam por que as relações entre os dois países permanecem marcadas por desconfiança e tensão.
TRÊS FATORES ESTRUTURAIS DESTE CONFLITO QUE POUCOS COMENTAM.
Petróleo, segurança de Israel e a questão nuclear — ajudam a compreender por que esse conflito reaparece ciclicamente e por que determinadas crises explodem em momentos específicos.
- O fator petróleo e as rotas energéticas
O Irã ocupa uma posição geográfica estratégica no Golfo Pérsico e possui uma das maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo. Além disso, controla a margem norte do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima por onde circula uma parte significativa do petróleo exportado globalmente. Isso significa que qualquer crise envolvendo o Irã tem potencial de afetar diretamente o mercado energético mundial.
Para os Estados Unidos e seus aliados, manter estabilidade nessa rota é uma questão estratégica. Já para o Irã, a localização geográfica funciona como uma forma de pressão política e militar, pois em situações extremas o país poderia ameaçar o fluxo de navios petroleiros. Esse equilíbrio delicado faz com que a região esteja constantemente sob vigilância militar e diplomática. - A segurança de Israel no Oriente Médio
Outro elemento central do conflito é a relação entre o Irã e o Estado de Israel. Desde a Revolução Iraniana de 1979, o governo iraniano passou a adotar uma postura fortemente crítica em relação a Israel. Ao mesmo tempo, Israel considera o crescimento da influência militar iraniana na região uma ameaça direta à sua segurança. Os Estados Unidos mantêm uma aliança estratégica histórica com Israel e frequentemente atuam como seu principal aliado político e militar. Por isso, quando o Irã amplia sua presença ou apoio a grupos armados em países como Líbano, Síria ou Iraque, a tensão tende a crescer. Assim, muitas disputas entre Estados Unidos e Irã estão ligadas, direta ou indiretamente, ao equilíbrio de poder em torno da segurança israelense.
O QUE DESENCADEOU O PROBLEMA AGORA?
O que desencadeou a crise atual (2026) entre os Estados Unidos e o Irã foi uma escalada militar rápida no final de fevereiro de 2026, ligada principalmente ao programa nuclear iraniano, à disputa regional com Israel e a ataques diretos entre os países.
- Ataque inicial contra o Irã
No dia 28 de fevereiro de 2026, forças dos Estados Unidos e de Israel realizaram bombardeios contra alvos militares e estratégicos dentro do Irã. Entre os alvos estavam instalações militares, bases ligadas ao programa nuclear e líderes do regime iraniano.
Durante essa ofensiva, foi morto o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que era a principal autoridade política e religiosa do país.
A morte de Khamenei elevou o conflito a um novo nível, porque foi interpretada pelo Irã como um ataque direto ao comando do Estado. - Retaliação do Irã
Após os bombardeios, o Irã respondeu com mísseis e drones contra bases militares e aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, além de ataques direcionados a Israel.
Essas retaliações ampliaram o conflito para vários pontos da região, incluindo bases militares e rotas estratégicas de petróleo. - Ataques militares diretos
Nos dias seguintes, ocorreram confrontos diretos entre forças militares. Um exemplo foi quando um submarino da Marinha dos Estados Unidos afundou a fragata iraniana IRIS Dena no oceano Índico, marcando uma escalada militar significativa.
Esse tipo de confronto é raro e indica que a tensão saiu do campo apenas diplomático ou indireto. - Impacto internacional
A guerra provocou:
mais de 1.200 mortes em poucos dias, aumento do preço do petróleo, interrupções em rotas marítimas estratégicas no Golfo Pérsico.
Isso ocorre porque o Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo mundial, fica exatamente na região do conflito.
O problema atual começou quando Estados Unidos e Israel atacaram alvos militares e estratégicos dentro do Irã em fevereiro de 2026, operação que matou o líder supremo iraniano. O Irã respondeu com ataques contra bases e aliados dos EUA, iniciando uma sequência de confrontos militares diretos que rapidamente escalaram para um conflito regional.
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