O “mundo ideal” desenhado pelo governador Jorginho Mello e seus aliados está prestes a colidir violentamente com a realidade fria e calculista de Brasília. Se alguém ainda tinha dúvidas de que Santa Catarina é apenas uma peça num tabuleiro muito maior — e que os desejos locais valem tanto quanto uma nota de três reais nos corredores do PL nacional —, a última terça-feira serviu para dissipar a névoa.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, não veio para negociar; veio para enquadrar. A proposta feita à deputada Caroline De Toni — de desistir do Senado para aceitar uma vice-governadoria ou uma liderança na Câmara em 2027 — não é um convite. É um sinal claro de que a “coalizão dos sonhos” idealizada por Jorginho e Adriano está indo por água abaixo.
O Balcão de Negócios
O que está em jogo é humilhante para a autonomia estadual. Para selar um acordo no Rio Grande do Sul e acomodar o PP, Valdemar rifou o cenário catarinense. A ordem é clara: uma vaga ao Senado é do ex-governador, senador, deputado Federal Esperidião Amin (o preço do PP) e a outra é de Carlos Bolsonaro (o preço do sobrenome).
Para Jorginho, sobra o papel de coadjuvante em sua própria sucessão. A ideia de montar uma chapa “puro-sangue” ou com aliados de sua estrita preferência, construindo aquele castelo de cartas planejado com Adriano, esbarrou no muro do pragmatismo nacional.
O “Não” que Ecoa
O mais saboroso dessa tragédia política é a recusa. Caroline De Toni, ciente de seu capital eleitoral, recusou as migalhas de luxo oferecidas por Valdemar. Oferecer a vice para quem tem votos para o Senado soa quase como um “prêmio de consolação” para garantir que os caciques e os filhos do “Capitão” tenham passagem livre.
A reunião de quarta-feira promete ser o palco onde o orgulho catarinense será testado. Jorginho Mello terá que decidir se é o governador de um estado que se orgulha de sua independência ou se é apenas um gerente regional obediente às ordens do diretório nacional.
Quem Realmente Manda?
O cenário que se desenha é de um fiasco político para a articulação local. O “grande acordo” virou um grande problema. E aqui chegamos ao ponto crucial que definirá 2026:
E agora, quem terá mais força? A executiva Nacional ou o Estado?
Quem realmente ditará as regras do jogo em Santa Catarina? Pelo andar da carruagem, as vontades de Jorginho e Adriano estão sendo atropeladas por uma tratorada que vem direto de Brasília. Resta saber se vão aceitar o atropelamento calados ou se ainda existe alguma autonomia no PL catarinense. As apostas estão na mesa, mas a banca, ao que parece, já tem dono.

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