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Fundação e força de trabalho: A presença negra na empreitada de Jourdan nos 149 Anos de Jaraguá do Sul

Explorando a presença negra na fundação de Jaraguá do Sul e a força de trabalho na empreitada de Jourdan. Uma homenagem aos 149 anos da cidade.
Fundação
Foto: reprodução
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Ademir Pfiffer – historiador, especial para o Jornal do Vale do Itapocu/Portal Observa+

1.Introdução

À medida que Jaraguá do Sul celebra seus 149 anos e se prepara para o grande marco do sesquicentenário (150 anos), torna-se imperativo revisitar as narrativas de sua fundação. A história oficial muitas vezes destaca a figura do Engenheiro Coronel Emílio Carlos Jourdan e a chegada dos imigrantes e colonizadores europeus como os únicos vetores de desenvolvimento. No entanto, documentos históricos e registros iconográficos — como a obra de Arlete Schwedler — nos convidam a ampliar essa visão. Esta análise busca iluminar a conexão pragmática e fundamental entre Jourdan e os trabalhadores afrodescendentes assalariados (os “camaradas”), cuja força braçal foi o motor inicial que permitiu o estabelecimento da Colônia Jaraguá.

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2.Jourdan e os “Camaradas”

2.1. A Engenharia da Ocupação e a Mão de Obra Nacional – Quando Emílio Carlos Jourdan chegou à região para demarcar terras e estabelecer a colônia, deparou-se com a densa Mata Atlântica e a necessidade urgente de infraestrutura básica. Antes da chegada massiva dos colonos germânicos, italianos, poloneses e húngaros, quem abriu as picadas? Quem remou as canoas pesadas rio acima?


A resposta reside nos trabalhadores nacionais, muitos deles negros (fugitivos das fazendas de Araquari, São Francisco do Sul, Barra Velha, etc) e caboclos, contratados como assalariados. Diferente do regime escravocrata que definhava no Império, Jourdan, um homem de visão técnica e pragmática, engajou essa força de trabalho remunerada. Eram os chamados “camaradas”, homens livres, muitas vezes egressos de outras regiões, que vendiam sua força de trabalho para a pesada tarefa de desbravamento inicial. Sem esses braços negros, a logística da colonização teria sido inviável.

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2.2. A Prova Iconográfica: Uma Releitura de Arlete Schwedler – A pintura de Arlete Schwedler, exposta no Museu Histórico Emílio da Silva, serve como um documento visual eloquente dessa dinâmica. A tela retrata o desembarque às margens do rio, evidenciando uma hierarquia social, mas também uma verdade incontestável:

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  • Enquanto a elite e os colonizadores aparecem em conversas ou supervisão;
  • São as figuras negras que aparecem carregando os barris, sustentando as sacas e manobrando as embarcações.

Esses homens não eram meros figurantes na paisagem; eram a infraestrutura viva da fundação. A arte confirma o que os registros contábeis da época sugerem: a presença negra estava lá, ativa e essencial, desde o “dia zero” da colonização.

2.3. Invisibilidade e Resistência: O Legado no Espaço Urbano – Apesar dessa contribuição inicial, o desenvolvimento urbano subsequente empurrou essas populações para as margens — física e historicamente. A formação de locais como o antigo “Morro da África” (atual Boa Vista) é um testemunho dessa resistência. Conforme destacado nas ações do Dia da Consciência Negra relatadas pela comunicação da Prefeitura de Jaraguá do Sul, reconhecer essa presença não é reescrever a história para diminuir a imigração europeia, mas sim, para completá-la. A relação de Jourdan com esses trabalhadores mostra que a fundação de Jaraguá do Sul foi um empreendimento multicultural, onde o capital técnico do engenheiro se fundiu à força de trabalho afrodescendente.

3.Considerações Finais

Ao completarmos 149 anos, o maior presente que podemos dar à memória de Jaraguá do Sul é a integralidade de sua história. A celebração da fundação não pode prescindir do reconhecimento daqueles que prepararam o solo. A figura de Emílio Carlos Jourdan ganha mais complexidade e realismo quando o entendemos não como um herói solitário, mas como um líder que soube mobilizar os recursos humanos disponíveis — especialmente os trabalhadores negros assalariados.
Que o caminho para os 150 anos seja pavimentado pela visibilidade, integrando a exposição “Invisibilidade e Resistência” e as releituras artísticas à narrativa oficial do município. Jaraguá do Sul foi sonhada por Jourdan, mas foi também edificada por mãos negras.

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4.Fonte

  • Acervo Artístico: SCHWEDLER, Arlete. Título da Obra não especificado (Cena de Desembarque/Colonização). Óleo sobre tela, 2011. Acervo do Museu Histórico Emílio da Silva.
  • Institucional: MUSEU HISTÓRICO EMÍLIO DA SILVA. Exposição A Presença Negra em Jaraguá do Sul: Invisibilidade e Resistência. Curadoria de Gustavo Félix Voltolini. 2025.
  • Contexto Histórico: Registros sobre a fundação da Colônia Jaraguá e a atuação do Engenheiro Emílio Carlos Jourdan (baseado na historiografia local).

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