Quando o esporte educa mais que a escola
Me utilizarei da reportagem publicada no Portal Observa+, que traz o seguinte título:
“Adolescentes de Santa Catarina valorizam mais as atividades esportivas do que as disciplinas tradicionais.”
De forma resumida, é esse o tema que me traz aqui hoje.
O texto relata os resultados de um levantamento realizado com cerca de 100 mil estudantes catarinenses do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental sobre suas preferências educacionais. O estudo indica que as atividades esportivas e de bem-estar são consideradas as mais importantes para o desenvolvimento dos alunos, especialmente entre estudantes do 6º e 7º anos. Já entre os alunos do 8º e 9º anos, o interesse pelos esportes diminui ligeiramente e cresce a valorização da educação financeira. As disciplinas tradicionais aparecem com menor preferência ao longo dos anos escolares.
O que quero, na verdade, é trazer esse contexto para a nossa cidade e mostrar o quanto esses dados podem ser ainda mais preocupantes aqui, pois, ao desnudar esses índices, percebemos que o problema é gigantesco.
Jovens, em sua grande maioria, preferem atividades esportivas às disciplinas de sala de aula. Mas vejamos o contexto de Jaraguá do Sul.
A SECEL é uma secretaria mais do que bem avaliada: organizada, com objetivos claros a curto, médio e longo prazo. Demonstra coesão no trabalho e apresenta resultados incríveis em nível nacional e estratosféricos em nível estadual.
Isso ocorre graças à sua organização e ao investimento — tanto financeiro quanto humano — voltado para atletas em formação e também para atletas já consolidados, em todas as categorias. Não é difícil ver Jaraguá do Sul superar cidades como Blumenau, Joinville e Florianópolis. Mesmo existindo cerca de oito cidades com mais material humano a ser prospectado, Jaraguá frequentemente aparece entre os três primeiros lugares, sendo muitas vezes campeã.
E aqui faço uma ressalva importante: sem buscar atletas em outros municípios, como fazem alguns concorrentes, que tratam categorias de base como profissionais apenas para obter melhores números — ou seja, atletas praticamente “comprados”.
Tudo isso é fruto de organização e suporte, não apenas aos atletas, mas também às suas famílias, que encontram nesse sistema tranquilidade para o desenvolvimento de seus filhos — não apenas como atletas, mas também como seres humanos.
Já a Secretaria de Educação, infelizmente, parece caminhar no sentido oposto em praticamente tudo.
É preciso destacar que a educação conta, sim, com ótimos profissionais em sua maioria. Porém, muitos estão sem norte, sem liderança, à deriva, sem saber para onde correr — apenas enxugando gelo.
Após receberem um prêmio da TV Bandeirantes referente à educação — prêmio cujos critérios pouco tiveram a ver com aprendizado real ou com o nível de conhecimento dos nossos alunos — parece que houve uma acomodação. Criou-se a ilusão, acompanhada de um discurso pronto, de que a nossa educação é excelente.
(KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK)
Peço desculpas pelas risadas, mas são risadas de nervoso, pois os dados são, na verdade, muito tristes.
Os jovens e as crianças que vivem esse cotidiano percebem tudo isso. Eles sentem onde há organização, investimento bem aplicado e projetos de longo prazo. Naturalmente, também percebem onde são mais valorizados.
E é justamente daí que nasce a preferência.

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