Enquanto a educação afunda…
Santa Catarina caminha orgulhosamente para se tornar o primeiro estado brasileiro a travar uma guerra legislativa contra o Halloween na área educacional. Sim, você leu certo. Em meio a um estado sem problemas — escolas perfeitas, educação exemplar, violência inexistente e alunos aprendendo maravilhosamente bem — a ALESC encontrou seu maior inimigo: abóboras decorativas e fantasias.
O projeto, já aprovado, proíbe qualquer evento, atividade ou decoração que remeta ao Halloween na rede estadual de ensino e agora aguarda a sanção do governador Jorginho Mello. A obra-prima é de autoria do deputado Marcos da Rosa (União Brasil) , que resolveu salvar as criancinhas do terror absoluto… causado por morcegos de papel e chapéus de bruxa.
A justificativa? Alguns pais, de uma escola em Penha, alegaram que seus filhos ficaram “traumatizados”. Imagino o nível do trauma: devem acordar de madrugada gritando “doce ou travessura”. Um verdadeiro caso para a ONU. Segundo o deputado, a escola não pode ser um ambiente que gere medo ou insegurança. Faz sentido. O que traumatiza mesmo é uma abóbora. Não é a realidade do ensino público.
É reconfortante saber que Santa Catarina já resolveu todos os seus problemas reais. Não há déficit educacional, evasão escolar, falta de estrutura, professores mal preparados ou alunos que mal sabem interpretar um texto. Nada disso. O que realmente exigia atenção imediata do parlamento estadual era uma festinha temática.
Mas fica uma pergunta incômoda: essa lógica valerá para tudo? Se o critério é não causar medo, então a Bíblia também será banida das escolas? Porque falar de lago de fogo, enxofre, condenação eterna, demônios e possessões não parece exatamente reconfortante para crianças.
Vamos relembrar: um homem é espancado até quase morrer, recebe uma coroa de espinhos cravada na cabeça, é obrigado a carregar um pedaço de madeira morro acima, é pregado nela, agoniza lentamente e, para garantir, ainda leva uma lança no peito. Isso tudo é pedagógico, edificante e zero trauma. Agora uma fantasia de vampiro… aí passou dos limites.
A Bíblia também narra estupros coletivos, massacres, genocídios e chacinas ordenadas por Deus. Tranquilo. Super saudável. Jesus, por sua vez, disse frases inspiradoras como “Eu vim trazer a espada” e “Eu vim colocar o filho contra o pai”. Um verdadeiro manual de convivência pacífica para crianças.
Mas o problema mesmo é o Halloween. É aí que mora o perigo.
Confesso que dá vontade de usar palavrões, porque certos níveis de hipocrisia só são explicáveis no idioma do xingamento. O Estado é incapaz, há décadas, de aprovar leis eficazes para melhorar a educação, fazer aluno aprender, empoderar professor ou modernizar o ensino. Mas quando surge uma pauta inútil, moralista e completamente irrelevante, a máquina pública funciona como um relógio suíço.
E não foi só um inútil que votou nisso. Os outros, todos muito ocupados fingindo trabalho, aprovaram juntos. Uma vergonha coletiva.
Essa Assembleia Legislativa e o governador Jorginho Mello mostram, mais uma vez, que não sabem lidar com problemas reais, então criam fantasmas — ironicamente — para combater. Uma pilha de bobagens para enganar a população e posar de defensores da moral, enquanto o estado segue com problemas de verdade sendo empurrados para debaixo do tapete.
Se isso não é teatro político, eu não sei o que é.

O presente perfeito para cada signo do zodíaco em Dezembro – Enquanto a educação afunda, a ALESC declara guerra a abóboras
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