Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) revelaram um forte desnível na qualidade dos cursos de medicina no país. Enquanto universidades federais e estaduais concentraram os melhores desempenhos, cursos mantidos por municípios e instituições privadas com fins lucrativos ficaram, em sua maioria, abaixo do patamar mínimo de qualidade definido pelo Ministério da Educação (MEC).
No conjunto dos participantes, 75% dos estudantes alcançaram desempenho considerado proficiente. O dado geral, porém, esconde diferenças expressivas entre os tipos de instituições. Entre os 6.502 alunos das universidades federais avaliados, a média de proficiência foi de 83,1%. Nas estaduais, o índice foi ainda mais alto: 86,6% entre os 2.402 estudantes inscritos. São considerados proficientes aqueles que se enquadram nas faixas 4 e 5, em uma escala de 0 a 5.
Na outra ponta do ranking aparecem os cursos municipais e privados com fins lucrativos. Entre os 944 estudantes da rede municipal, a média de proficiência ficou em 49,7% da pontuação máxima, desempenho classificado como insuficiente pelo exame. Já nas instituições privadas com fins lucrativos, os 15.409 alunos avaliados atingiram média de apenas 57,2%.
Segundo o MEC, 85% dos cursos municipais avaliados foram considerados insatisfatórios. O baixo desempenho também predominou entre as faculdades privadas com fins lucrativos, reforçando a concentração de problemas de qualidade fora do sistema público federal e estadual.
No total, o Enamed avaliou 351 cursos de medicina em todo o país. A partir do desempenho dos estudantes, os cursos receberam conceitos que vão de 1 a 5, dentro do sistema do Enade. Dos cursos analisados, 24 ficaram com conceito 1 e outros 83 com conceito 2, as duas faixas consideradas abaixo do mínimo esperado.
Esses resultados embasam as medidas de supervisão anunciadas pelo MEC. Ao todo, 99 cursos do Sistema Federal de Ensino — que reúne instituições federais e privadas — ficaram nas faixas 1 e 2 e poderão sofrer sanções. Faculdades estaduais e municipais não estão sob a supervisão direta da União e, por isso, não são alcançadas pelas punições federais.
Cerca de 30% dos cursos de medicina avaliados em 2025 deverão sofrer sanções após apresentar desempenho considerado insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Levantamento divulgado na segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC) aponta que 99 cursos do Sistema Federal de Ensino ficaram nas faixas mais baixas do Conceito Enade, abaixo do patamar mínimo de qualidade exigido.
Dois cursos de medicina do Norte catarinense receberam conceito 1, a menor nota, no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica).
Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira (19). São elas a UNC (Universidade do Contestado), de Mafra, e a Faculdade Estácio, de Jaraguá do Sul, ambas com conceito 1, o pior de todos. No entanto, a instituição diz que vai apresentar a defesa ao Ministério da Educação, antes que as sanções entrem em vigor.
Direção da Faculdade de Medicina diz que há divergência de dados e pontos de fragilidade na análise

O Jornal do Vale do Itapocu e o portal Observa+ procuraram a direção da Faculdade em Jaraguá do Sul que, por meio da assessoria de imprensa, esclarece: “Os exames de fim de curso são instrumentos tradicionais para nosso trabalho de melhoria contínua, mas essa primeira edição do Enamed revelou tantos pontos de fragilidade que, no nosso entendimento, não refletem a realidade do ensino oferecido (nem nacionalmente, nem nas nossas instituições).
Além da falta de incentivos reais para que os alunos se preparem para a prova, de amostras mais adequadas e de critérios mais robustos para o tratamento das notas, houve divergência entre os dados disponibilizados oficialmente em dezembro e os usados para o cálculo final dos indicadores, o que exigiria uma análise bem mais cuidadosa, para que todos possam confiar nos resultados.
Essa será a posição que vamos apresentar ao órgão regulador ao longo dos próximos 30 dias, prazo previsto para análise em profundidade de cada caso.
E segue a nota: Um aspecto bem importante, que pode estar passando despercebido, se dá com relação aos atuais estudantes e aos docentes. Esses resultados geram ansiedade e preocupação na comunidade acadêmica.
Gostaríamos de reforçar: nosso modelo de ensino, corpo docente, os campos de prática são muito sólidos e de qualidade, além do significativo percentual de aprovação de nossos egressos em programa de Residência Médica, e queremos compartilhar essas segurança e tranquilidade com nossa comunidade, a despeito desses indicadores divulgados, que precisam ser revisitados de forma bem detalhada”.
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