Vamos falar a verdade? O Dia Internacional da Mulher é a maior prova de que a humanidade adora uma maquiagem social. É aquela data em que o sujeito que não lava um copo o ano inteiro posta foto com legenda inspiradora, e a empresa que paga menos para as funcionárias distribui um botão de rosa de plástico.
“Grandes … “&%$#@FFFF”” (Minha reação)
Convenhamos: celebrar o 8 de março chega a ser uma hipocrisia de escala industrial. Este ano, por milagre, a data caiu em um domingo. Um alento para milhões de mulheres que puderam, enfim, esticar as pernas? Em teoria, sim. Na prática, sabemos que a “Dona Maria” acordou cedo do mesmo jeito. Seja para pegar a condução e garantir o sustento, ou para adiantar o feijão da semana. O descanso da mulher é um mito urbano mais criativo que o Curupira.
A Arte (e o Caos) de ser Mulher
Diferente de quem reclama da sorte, eu amo a “biologia do caos”. Acho divina a capacidade de gerar vida, mas também acho um luxo poder chorar sem precisar de um bunker — ao contrário de muitos homens que ainda vivem sob o tabu do “homem não chora”. Nós choramos, retocamos o rímel e resolvemos o problema enquanto eles ainda estão tentando entender o manual de instruções da vida.
Lembro exatamente do dia 26 de outubro de 2011. Quando a menarca de minha primogênita chegou, não teve drama; teve festa. Café com as amigas, madrinhas e uma carta de quatro páginas. Houve flores na escola para celebrar o novo ciclo. Se o mundo vai nos cobrar tanto, que a gente comece a jornada com um café reforçado, certo?

Da “Dona Lu” às executivas: o malabarismo é o mesmo
Tenho fontes de inspiração que o LinkedIn não costuma mapear.
- A Dona Lu (minha vizinha): Sai às 7h com a garrafa térmica em uma mão e a coragem na outra. Organiza empresas, limpa o mundo e volta para casa com energia para fazer o jantar, cuidar do marido e do filho. É um nível de bateria que a Apple ainda não conseguiu replicar.
- As “Mulheres de Lar”: Almindas, Anas e Rosas. Mulheres que, por escolha ou falta dela, viveram para os outros. Aguentaram maridos, filhos e netos, equilibrando perrengues que fariam qualquer CEO pedir demissão em 15 minutos.
- As Multitarefas: Danis, Marlis, Grazis, Neninhas, Odilas, Natálias, Daias, Tânias, Scheilas, Veres, Andreias, Adris, Elianes… e tantas outras que encaram o mercado de trabalho. Elas costumam ser mais competentes que a média masculina da sala, mas ainda precisam lutar pelo óbvio: reconhecimento e salário justo.
Dia da Mulher? Dá licença…
Então, quando me perguntam sobre o “Dia da Mulher”, eu só consigo sentir um leve tique nervoso no olho.
Dia da mulher é todo santo dia. É o dia de agradecer a quem está ao seu lado te impedindo de ser um completo desastre funcional. É dia de reconhecer quem orienta, cuida e participa dos seus piores momentos sem titubear (e sem cobrar hora extra por isso).
Um brinde à Eva.
Se não fosse por ela e sua curiosidade pela maçã, a gente ainda estaria lá, entediada no paraíso, esperando um homem decidir qual seria o cardápio do jantar. A evolução é feminina.
O resto é apenas propaganda de floricultura.
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