Nem toda ferida sangra: o peso invisível de depressão, ansiedade e burnout, por @ritacarnielli_terapeuta
Existem dores que a gente não consegue explicar. É uma tristeza profunda, um aperto no peito, uma ânsia de vômito, dor na nuca, dor de cabeça… Uma sensação de que algo está errado, mesmo sem saber o motivo. Nada parece fazer sentido. Nada traz alegria. A vontade é apenas de chorar, de ficar deitada ou simplesmente de não fazer nada.
Então você tenta se lembrar da pessoa que era antes, da época em que sorria com facilidade, mas, aos poucos, essas lembranças parecem se apagar. É como se a depressão e a ansiedade fossem apagando a sua essência, fazendo você deixar de reconhecer quem é.
E é exatamente contra isso que precisamos lutar. É por isso que devemos procurar ajuda o quanto antes.
A ansiedade e a deprê têm tratamento, e é possível aprender a lidar com elas. Muitas pessoas conseguem perceber quando uma crise de ansiedade está chegando. Meus pacientes costumam dizer: “Eu sinto quando ela está vindo.”
Nesses momentos, mude de ambiente. Se estiver na sala, vá para a cozinha. Se estiver na cozinha, vá para outro cômodo. Sente-se no chão, observe o que está ao seu redor e tente identificar cinco coisas que consegue ver, quatro que consegue tocar, três que consegue ouvir, duas que consegue sentir pelo cheiro e uma pelo paladar.
Abrace a si mesmo, segure um cubo de gelo nas mãos ou passe-o na nuca. Enquanto isso, repita para si: “Isso vai passar. Eu estou aqui. Eu estou segura.” Diga seu nome em voz alta e lembre-se de que a crise é passageira.
A ansiedade costuma atingir seu pico em poucos minutos e, depois, vai diminuindo. Ela não dura para sempre, mesmo que pareça interminável.
A depre e a ansiedade são como uma lousa onde sua história foi escrita. Aos poucos, elas passam um apagador e tentam transformar tudo em um borrão. Mas não permita que elas apaguem quem você é.
Peça ajuda. Faça terapia. Fale sobre o que está sentindo
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É um dos maiores atos de coragem que alguém pode ter.
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