“A estação em que as flores desabrocham em cores e aromas e atinge o apogeu traz um clima ameno, sem grandes variações de tempo e temperatura, certo?”. Só que não! Se estamos falando sobre a Primavera de 2026, iniciada oficialmente na noite de 22 de setembro, definitivamente nada mais é como antes! As coisas mudaram muito por aqui desde que o El Niño passou a “bagunçar o coreto” e provocar inundações, ciclones, tornados, terremotos, vendavais, granizo e ondas de calor, bem acima da média. E com isso, temos uma Primavera atípica para enfrentar, que se estende até 21 de dezembro.

A estação associada ao desabrochar das flores será marcada por mais chuvas no Sul.
O planeta que identificou a Primavera como o período do ano que há séculos inspira poetas e os românticos incuráveis, definitivamente, não é mais o mesmo. Tudo aponta para as mudanças climáticas (embora há quem garanta que esse é um discurso dos “ecochatos”).
Culpa do “bicho homem”, que explorou os recursos naturais sem cuidado nenhum, de maneira imprevidente e irresponsável. De que adianta periodicamente assinarem tratados para reduzir poluentes, se nunca cumprem?
Alô, alô! Terra trincando!
Ano após ano, as grandes potências mundiais seguem no mesmo ritmo e as consequências estão aí, para quem quiser ver. Como bem disse o ambientalista, filósofo e líder indígena Ailton Krenak, “a Terra está trincando”… Nada será como antes!
Recentemente, o “Globo Rural” divulgou que a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), destacou que “o fenômeno que influencia a circulação atmosférica a partir do aquecimento do oceano tem 75% de chance de ser o mais intenso da história”. Em outros tempos, quem poderia imaginar um quadro tão alarmante?
Os impactos no Sul
É inegável que El Niño é o protagonista desta Primavera, prometendo muitas chuvas e causando sérias preocupações, principalmente nos três estados do Sul. No Rio Grande do Sul, já nos primeiros dias as tempestades causaram vítimas das tempestades e tornados, com destelhamentos, desalojados, cortes de energia, desabastecimento de água e falta de acesso à internet. Passada uma semana, ainda existem locais em que os serviços não foram restabelecidos.
É preciso aceitar que o tempo das estações eram bem definidas, com raras exceções, já não existe mais. Sim… Nada será como antes!

Sônia Pillon é jornalista, escritora, palestrante e colunista. Tem formação em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduação em Produção de Texto e Gramática pela Univille. Integra a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-SC). Fundadora da ALBSC Jaraguá do Sul.
