
Esse é um tema difícil de abordar e, principalmente, difícil de entender. Chegamos ao final de 2025 com mais de mil feminicídios no país. De onde vem tanto ódio?! Quantas Catarinas, Allanes, Layses e Marias ainda terão de morrer de forma tão revoltante? Em que momento a frustração pela perda de poder sobre as mulheres e a consequente ascensão profissional delas transformou parte dos homens em assassinos monstruosos? O machismo e a misoginia mostram a sua face mais desumana, exacerbados pelo movimento red pill, que segue incentivando a retrocederem no tempo, com domínio absoluto nos relacionamentos.

A luta pela igualdade de direitos e as conquistas femininas se mostram insuportáveis para os que não aceitam quando elas” decidem dar um basta na relação. A perda de poder sobre as mulheres que tiveram a coragem de romper relações tóxicas se torna insuportável para eles, movidos pelo ego ferido.
Quem ama não mata!
Nos depoimentos na delegacia, alegam ciúmes e sofrimento pelo amor não correspondido. Não, nunca foi amor! Não são crimes passionais, da perda temporária da razão, que busca atenuantes condenatórios, mas sim, de ações premeditadas, com frieza e crueldade: se não tiram a vida, mutilam a vítima como forma de vingança.
Não crie filhos para serem machistas!
Feminicídios, estupros e todos os demais tipos de violência e preconceito não podem ser normalizado em uma sociedade civilizada. Essa não é uma luta apenas das mulheres! É dos homens também, dos que respeitam e valorizam a presença feminina no mundo. Já passou da hora de assistir a tudo passivamente, sem marcar posição. Quem cala, consente. Quem se omite, permite.
Uma sociedade com valores igualitários, sem discriminação de gênero, passa pela educação, que começa dentro de casa, com diálogo.Cabe aos pais repassarem esses ensinamentos pelo exemplo. E às mães, especialmente, não perpetuarem atitudes discriminatórias na criação dos meninos e das meninas, ensinar a divisão de tarefas.
Meninos precisam aprender a respeitar e a valorizar as meninas. Ao se tornarem homens, entenderão que é preciso seguir as leis e a saber lidar com as frustrações, sem partir para a violência.
Para transformar essa assustadora realidade, será preciso mudar mentalidades, comportamentos arraigados que não podem mais ser minimizados. É preciso enfrentar e coibir de forma contundente. Salve vidas: Ligue 180.

Sônia Pillon é jornalista, escritora, palestrante e colunista, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto pela Univille. Integra a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-SC), a Associação das Letras e o Grupo Literário A ILHA. Fundadora da ALBSC Jaraguá do Sul.















