Um cão comunitário, dócil, amado e bem cuidado pelos moradores da Praia Brava, em Florianópolis, atacado à pauladas por cinco adolescentes, de maneira covarde, cruel, abandonado no mato, agonizando. O crime revoltante foi praticado contra o “Orelha” por filhos da elite da capital catarinense. Está mobilizando não somente os moradores do bairro, que realizaram uma passeata no último sábado (24), mas todos os defensores da causa animal, que clamam por Justiça. E nem poderia ser diferente!

Na minha coluna publicada em 13 de janeiro de 2026, abordo justamente sobre os direitos dos animais, e as novas leis que entraram em vigor contra maus-tratos, com aumento das penas quando causam mortes. Corre ainda um abaixo-assinado com mais de 15 mil assinaturas, para que a legislação resulte em cadeia para os que maltratam animais.
Todos se perguntam: “Onde estão os criminosos ‘filhinhos de papai’, que após a repercussão desapareceram de Florianópolis? Uma investigação está em curso e há uma grande pressão junto às autoridades para que ajam com rigor “doa a quem doer”. A lista dos suspeitos, filhos de grandes empresários (dos ramos de hotelaria e demais segmentos), já é amplamente divulgada nas redes sociais.
Perversidade
Dói na alma só de imaginar o sofrimento daquele animal indefeso atacado, torturado por jovens mimados e perversos. Consta que os cinco estudam em um colégio particular, tradicional e conceituado. A pergunta é: Que tipo de Educação estão recebendo na instituição de ensino e em casa? De que são privilegiados e “podem tudo”? Não aprenderam sobre respeito e empatia, tanto com os seres humanos como com os animais?
Acobertamento e ameaças?
Entre as informações que correm em Praia Brava é que os pais dos adolescentes teriam enviado os filhos para fora do país. Um dos suspeitos, aliás, estaria nos Estados Unidos, se divertindo na Disney World: Seria um “prêmio” por ter participado da sessão de tortura contra o “Orelha”?
Um jornal local também noticiou que pai e tio de investigados teriam ameaçado um porteiro de hotel com a famosa frase “Você sabe com quem está falando?”. Já a página do Instagram “Orelha Praia Brava”, criada por ativistas, foi retirada do ar. Segundo os usuários, por pressão jurídica dos pais dos envolvidos no crime.
“Estamos trabalhando”, garante delegado
Tal é a repercussão do crime que o Delegado Geral de Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, postou mensagem no Thread de que as investigações seguem, com depoimentos, diligências e busca de imagens. “A Polícia Civil aqui em Santa Catarina, bate em Chico e também em Francisco”, afirma. Mostrou que o outro animal agredido, o “Caramelo”, estava no banco de trás de seu veículo e se recuperou bem. “Triste e lamentável a ação criminosa contra esses animais”, complementou.
Pressão popular faz a diferença
É importante enfatizar que não se trata “apenas” da morte de um cão. Não podemos minimizar a gravidade do que aconteceu com o “Orelha!”. É preciso manter a luta para que os responsáveis por essa barbárie sejam exemplarmente punidos. Que os os rigores da lei sejam aplicados! Que a pressão popular vença a influência do poder econômico! É impossível não sentir indignação com fatos como o que ocorreu na Praia Brava.
Não à impunidade! Justiça pela morte do “Orelha”!


Sônia Pillon é jornalista, escritora, palestrante e colunista, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto pela Univille. Integra a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-SC), a Associação das Letras e o Grupo Literário A ILHA. Fundadora da ALBSC Jaraguá do Sul.
