O protagonismo da escrita feminina
O número de mulheres que conquistam espaços de fala pela via literária cresce a cada dia no país. Da pioneira Maria Firmina dos Reis, autora de Úrsula, em 1859, apontada como “A voz do negro”, até as contemporâneas Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Carolina Maria de Jesus, Cora Coralina, Cecília Meirelles e Rachel de Queiroz, para citar as mais célebres, um longo caminho foi (e continua sendo) trilhado. E entre tantas expoentes das letras, sabe qual a mais lida no Brasil hoje?
É Carla Madeira, que em 2024 já havia vendido 973.103 cópias. Num momento em que a sociedade brasileira de mostra alarmada com tantos feminicídios, machismo e misoginia, escrever é uma das formas de conscientização.
Não podemos esquecer que entre o século 19 e o início do século 20, muitas mulheres escreviam em jornais com pseudônimos masculinos para serem aceitas. Uma das exceções foi Júlia Lopes de Almeida, cronista e abolicionista, que em 1886 lançou a obra “Contos infantis”.
Também foi autora de romances, peças teatrais e matérias jornalísticas. E, claro, a catarinense Antonieta de Barros, professora, jornalista e a primeira parlamentar negra do país, nas primeiras décadas do século 20.
Uma das grandes lutas das mulheres no Jornalismo é alcançar a igualdade de gênero, em pleno século 21. Mesmo com a indiscutível conquista de espaço feminino nas redações, bancadas, assessorias e posições de liderança na mídia, nas últimas décadas, ainda há caminhos a serem percorridos.
E entre as iniciativas em prol da propagação das vozes femininas está a encabeçada pela paranaense Hellê Velloso Fernandes ao fundar a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB).

As vozes femininas da AJEB
A entidade da qual me orgulho de fazer parte desde 2022 foi registrada oficialmente em 8 de abril de 1970, reduto da diversidade de talentos e resistência. Formada em Letras e Jornalismo, Hellê Fernandes se destacava como escritora e jornalista repreentando a ala feminina. Defendia a escrita com propósito, o fio condutor das obras lançadas pelas ajebianas.
A atual presidente da AJEB Nacional e fundadora a Coordenadoria Santa Catarina da AJEB, Renata Dal-Bó”, autora de “Tecendo memórias – O Legado da AJEB e das ajebianas na escrita de autoria feminina”, resgata os 55 anos da instituição. “A AJEB nasceu esse sonho de Hellê, e seu objetivo era simples, mas poderoso: unir jornalistas e escritoras brasileiras, para que juntas pudessem crescer, aprender e, sobretudo, se expressar”, ressalta.
Nesses 55 anos, a instituição se difundiu pelo Brasil e hoje se encontra em 20 estados, superando 700 associadas. A atual presidente da Coordenadoria Santa Catarina, que em 2025 comemora sete anos de atuação, é Sande Moraes. “A AJEB, além de ser uma entidade literária, é um ‘lugar de memória’ que proporciona uma rede de apoio e afeto às suas associadas.
Essa comunidade afetiva fortalece a luta pela valorização das vozes femininas, ajudando a superar as barreiras históricas e sociais impostas às mulheres no campo da escrita”, declara a presidente Nacional da AJEB, Renata Dal-Bó.
A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil desenvolve coletâneas entre as associadas das coordenadorias estaduais e nacional, promove eventos de confraternização literária, passeios culturais, saraus e oficinas de escrita ao longo do ano.As coletâneas “Jornalistas em cena”, especificamente, iniciativa da Coordenadoria Santa Catarina, passaram a ser publicadas anualmente desde 2023.
Reúne reportagens, crônicas e artigos que trazem recortes da carreira das profissionais da Imprensa, lotadas em solo catarinense, em outros estados, e também as radicadas em outros países. “As coletâneas da AJEB desempenham um papel crucial na promoção e valorização da escrita das Ajebianas”, conclui Renata Dal-Bó.

Sônia Pillon é jornalista, escritora, palestrante e colunista, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto pela Univille. Integra a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-SC), a Associação das Letras e o Grupo Literário A ILHA. Fundadora da ALBSC Jaraguá do Sul.
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