Sempre tive fascínio pelos antigos carnavais, aqueles em que os foliões incorporavam personagens clássicos, como o Pierrot, a Colombina, o Palhaço, a Bailarina… os piratas, as caveiras, os mascarados, o Rei Momo e todos os demais que durante as festividades carnavalescas se fantasiam para vivenciar momentos de pura alegria. Como não imergir em um mundo de sonhos em meio a tanto colorido e brilho na passarela e nos salões, embalados pelas marchinhas? Antes mesmo do samba e, mais especificamente, do samba-canção, Chiquinha Gonzaga – compositora, maestrina e pianista (que se considerava “pianeira”) – fazia história com suas composições.
De lá para cá o pulo foi gigantesco e hoje é cada vez mis comum as associações e demais entidades promoverem saraus virtuais, como os realizados essa semana por entidades de fomento literário, pela Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB Nacional) e a Associação das Letras.
Que o Brasil é um país musical, isso é um fato incontestável, reconhecido mundialmente por seus inúmeros talentos. Tanto é verdade que às vésperas do início oficial da folia carnavalesca, as celebrações da “festa pagã” já iniciaram com a as apresentações dos blocos. É nesse breve período que o povo consegue (em parte) esquecer as dívidas, os boletos que não param de chegar e os conflitos do cotidiano.

O Sarau das Letras
E foi com essa lúdica expectativa de experienciar a atmosfera dos carnavais do passado que na noite da sexta-feira 13 (de sorte para os que tem fé!) me agilizei para participar do “Carnaval Sarau das Letras”, promovido pela Associação das Letras no modo on-line. Cada um dos associados que aderiu à convocação se esmerou na apresentação, no modelito, nos adereços e, principalmente, na contribuição pessoal ao evento, como declamação de poema, leitura, ou cantoria de composições atemporais. Alalaô, Mamãe eu quero, Sassaricando, Aurora, Jardineira, A pipa do vovô…
Para entrar “no clima” do sarau, optei por um visual mais colorido, com destaque para os acessórios ao estilo vintage, como o leque, que não somente combinou com a proposta, como ajudou a minimizar o calor da estação… Aproveitei para ler o conto “O beijo do Zorro”, de minha autoria, publicado em 2015 na antologia “Saganossa – Outras historias”. Me inspirei após entrevistar a centenária Álida Grubba (In memoriam), que na época me contou dos bailes de máscaras que participou, mocinha ainda, realizados no então aristocrático Clube Baependi, em Jaraguá do Sul. Na época, sempre acompanhada pelos pais. Outros tempos… Hoje, quando pensamos em baile de máscaras, associamos à série Bridgerton, não é mesmo?
Sempre é bom reforçar que, para os que apreciam o carnaval, esse período do Reinado de Momo deve ser usufruído com alegria, mas principalmente com responsabilidade, consigo mesmo e com os demais.

Sônia Pillon é jornalista, escritora, palestrante e colunista, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto pela Univille. Integra a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-SC), a Associação das Letras e o Grupo Literário A ILHA. Fundadora da ALBSC Jaraguá do Sul.
