
A busca pelo respeito, equidade e reconhecimento social, lutas empreendidas pela etnia negra, desde os quilombos até os dias de hoje, estão evidenciadas ao longo de novembro. O mês dedicado ao tema nos conduz à reflexão, mas principalmente à ação antirracista. Não basta dizer “não sou racista”. É preciso agir, se posicionar e denunciar quem infringe a lei. Ser omisso é perpetuar injustiças.
Essa é a proposta da exposição “A presença negra em Jaraguá do Sul – Invisibilidade e resistência”, aberta dia 18 de novembro e que se estende até 18 de dezembro no segundo piso do Museu Histórico Municipal Emílio Silva. São informações e fotos que reproduzem o cotidiano dos afrodescendentes do Vale do Itapocu, de trabalho e resistência cultural.
Na última sexta-feira fui visitar a exposição e tive privilégio de reencontrar o senhor Alvaril Gomes, 87 anos, o primeiro negro da cidade a empreender no ramo de móveis, no bairro Nova Brasília. Além do pioneirismo como empresário, ele também se destacou na comunidade como presidente do Clube União.

Convidado pela Chefe dos Museus Municipais, Ivana Cavalcanti, Alvaril percorria as fotografias expostas, identificava lugares e pessoas com as quais conviveu. Com bom humor e uma surpreendente memória para a idade, contou “causos” engraçados e pitorescos ocorridos em décadas passadas.
Entrevistado pela equipe do Museu Emílio Silva, trazia uma narrativa sobre o cotidiano, que incluía trabalho, o lazer, comportamento e desafios da comunidade negra jaraguaense, especialmente nos bairros Boa Vista, Nova Brasília e Vila Lenzi. Histórias de lutas, desafios, de resistência, mas também de alegria, dos bailes, confraternizações e comemorações do Clube União. Do apoio e confiança recebidos de João Planincheck (que hoje leva nome de rua), para a venda parcelada de lotes aos negros da cidade inseridos no mercado de trabalho.

Sem dúvida, o senhor Alvaril Gomes permite resgatar acontecimentos, somar ao legado de homens e mulheres, como Mestre Manequinha, Maria Umbelina da Silva e tantos outros que fazem parte da História de Jaraguá do Sul.
Legado da africanidade
Desde a chegada de escravizados da África, passando pelos quilombos, a Abolição da Escravatura e chegando aos dias de hoje, há muitas conquistas alcançadas e muitas para alcançar. Daí a importância de deixar marcado o 20 de novembro, data da captura e morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. É quando transcorre o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
Que não seja somente uma data, mas sim, uma postura a ser adotada sempre, sem espaço para discriminação, em nenhum lugar. A diversidade cultural é a marca desse Brasil mestiço e continental.

Sônia Pillon é jornalista, escritora, palestrante e colunista, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto pela Univille. Integra a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-SC), a Associação das Letras e o Grupo Literário A ILHA. Fundadora da ALBSC Jaraguá do Sul.
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