Coluna: As peripécias de Cherrie

Cherrie, no idioma francês, quer dizer “querido”, ou “querida”. E foi justamente por isso que escolhi esse nome para o meu gato tigrado, motivada pela definição do temperamento dele que…

Cherrie, no idioma francês, quer dizer “querido”, ou “querida”. E foi justamente por isso que escolhi esse nome para o meu gato tigrado, motivada pela definição do temperamento dele que a doadora Mariana me passou: “Ele é tão queridinho!”. Pronto! Foi o que bastou para mim: estava escolhido o nome de batismo dele… Só depois descobri que, ao mesmo tempo em que Cherrie era adorável, afetuoso e divertido, existia, sim, um outro lado, nem tão fofo assim…

Era de se esperar que haveriam momentos em que o DNA felino falaria mais alto e ele ficaria mal humorado e irritado, especialmente quando um outro gato aparecia passando debaixo da janela com tela. Quando isso acontece, ele fica protestando com miados estranhos. Às vezes, mostra os dentes como se estivesse pronto para morder e arranhar os que invadem o seu território.

Pois é, os bichanos são territorialistas e ciumentos dos tutores. Ai se um outro gato se atrever de tomar o seu espaço! Nessas horas, parece um tigre em miniatura… E quando está com fome então? Não importa se for de madrugada, ele dá um jeito de chamar a atenção e “exigir” a ração.

Cherrie faz parte da família há 10 anos. Cercado de cuidados, retribui o amor recebido. Foto: Arquivo pessoal

Peraltices felinas

Depois de alimentado, Cherrie pula na minha cama e fica coladinho com os meus pés. Ao amanhecer, deita do lado do meu travesseiro, não sem antes “pedir” para abrir a janela do quarto, quando pula no parapeito atentamente, para bisbilhotar o movimento. Até que cansa e desce para ficar do meu lado.

E assim ele segue a rotina de dorminhoco, até que me levanto e ele me segue até a cozinha para o “café da manhã”. Quando a fome aperta, ele me segue com miados angustiados, até que troque a água e renove o prato de ração. E assim o ritual se repete ao longo do dia…

Para os que preferem cachorros e não gostam de gatos, essas “manias” são insuportáveis, assim como o olhar profundo deles, que parece desvendar a alma. Há quem afirme que eles são seres místicos e altamente intuitivos, que “enxergam” a índole e a intenção dos que os observam. Essas características, de sustentar o olhar de um gato, geralmente faz que muitos fiquem perturbados, sem entender o porquê.

O olhar atento de Cherrie, assustado com a proximidade de um vendaval. Foto: Arquivo pessoal

Coincidências?

Já se passaram 10 anos, e não  esqueço daquela manhã em que caminhava pela avenida Getúlio Vargas, no Centro Histórico de Jaraguá do Sul. Ia seguir reto, e passei em frente à Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer (Secel). Ali encontrei a amiga Mariana, que contava à recepcionista que estava doando gatinhos do Bairro Boa Vista.

Eu tinha perdido a minha gata Flor de Lótus para a Aids felina há pouco mais de 15 dias e preferia não olhar as fotos para não me afeiçoar. Elas continuavam falando sobre o gato para doação. Resisti o que pude, mas não aguentei mais e pedi para ver o futuro Cherrie. Aí não teve jeito e decidi adotá-lo…

O detalhe é que durante três noites sonhei com um gato tigrado, de lado, de costas e por último, de frente, me encarando. Lembrei imediatamente desse detalhe quando vi a foto dele do celular da minha amiga. Aí tive a certeza que era para ser tutora dele. Sabe por que?

É que quando perdi a Flor de Lótus, que estava definhando e teve de passar por eutanásia, orei para que o espírito dela, se pudesse, voltasse para mim em outro ser. Primeiro foram os sonhos, depois o impulso de entrar na Secel. Seriam apenas coincidências?

“Filhos de quatro patas”

Para quem é gateiro, ou gateira, é comum essa ligação especial com os gatos, esse vínculo inexplicável. De adotados passam a ser os “donos da casa” e dos nossos corações. São como filhos de quatro patas, parte da família. Não há meio termo com eles: são amados por uns e detestados por outros,

Filtros energéticos?  

Esses seres de pelo macio, intuitivos, discretos e dorminhocos, ao contrário do que muitos pensam, nutrem sentimentos profundos quando se afeiçoam pelos humanos: sentem quando estamos tristes, angustiados e doentes. Nessas horas, permanecem no nosso colo e ao nosso lado o maior tempo possível, nos levando carinho e conforto. Terapêuticos, empáticos. Há os que acreditam também que os gatos são místicos. Que têm o dom de transmutar energias negativas e proteger o lar onde vivem. E que em algumas situações, adoecem e podem até perder a vida, quando o ambiente está energeticamente muito pesado.

Denuncie maus-tratos!

De qualquer forma, independente se você gosta, ou não, de gatos, acima de tudo os respeite e não aceite que sejam vítimas de maus-tratos. Crueldade contra os animais é crime e cada um deve fazer a sua parte nesse processo.

Empatia com os animais

Comece educando seus alunos e filhos. Ensine sobre empatia, dê o exemplo. Passe a controlar a interação de crianças e jovens na web. De modo a impedir que naturalizem atos cruéis de tortura e execução contra seres indefesos em jogos online.

Sônia Pillon

Sônia Pillon é jornalista, escritora, palestrante e colunista, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto pela Univille. Integra a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-SC), a Associação das Letras e o Grupo Literário A ILHA. Fundadora da ALBSC Jaraguá do Sul.

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