Candidato do PL levou representação em tamanho real do presidente Lula à Esquina Democrática; discussão terminou em empurra-empurra, intervenção da Guarda Municipal e troca de acusações
O video está disponivel no instagran do Jornal A RAZÂO: https://www.instagram.com/reels/Dd-IJc0iDbw/
Uma ação de campanha terminou em confusão na tarde desta quinta-feira (1º), na região central de Florianópolis, envolvendo o candidato a deputado estadual Bruno Souza (PL) e militantes do Partido dos Trabalhadores (PT). O episódio aconteceu na Esquina Democrática, tradicional ponto de manifestações políticas e atividades eleitorais da Capital catarinense.
Bruno Souza esteve no local carregando uma placa em tamanho real que representava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usando roupa semelhante à de um presidiário. A estrutura foi levada justamente para uma área onde integrantes do PT realizavam atividades de campanha, com distribuição de adesivos e materiais impressos.
A presença da placa provocou uma discussão entre o candidato e apoiadores do partido. Imagens que circulam nas redes sociais mostram os envolvidos discutindo de maneira acalorada, com provocações e xingamentos trocados entre os dois lados.
Discussão termina em empurra-empurra
Durante o bate-boca, a situação se agravou e houve contato físico entre participantes. Em determinado momento, a placa caiu no chão e outras pessoas se aproximaram para tentar separar os envolvidos.
A Guarda Municipal de Florianópolis foi acionada e passou a atuar para impedir que a confusão aumentasse. Em uma das imagens divulgadas, um agente aparece segurando um spray de pimenta, embora as imagens disponíveis não permitam confirmar se o equipamento chegou a ser utilizado.
Depois do tumulto, a placa deixou de ser vista na Esquina Democrática. Bruno Souza afirmou que o objeto havia sido levado por integrantes do grupo adversário e saiu em direção à região do Mercado Público para tentar recuperá-lo.
Segundo as imagens divulgadas, o candidato localizou a estrutura nas proximidades do Mercado Público e voltou a carregá-la para o ponto onde havia iniciado a discussão.
Ao retornar, novos questionamentos foram feitos por militantes. Um deles afirmou que a utilização da placa seria proibida pela Justiça Eleitoral. O candidato, por sua vez, respondeu que permaneceria no local.
Candidato afirma ter sido atacado e ter tido placa levada
Após o episódio, Bruno Souza publicou uma manifestação nas redes sociais apresentando sua versão sobre o ocorrido.
O candidato afirmou que foi atacado por militantes ligados ao PT e que a placa teria sido retirada do local contra sua vontade. Ele também declarou que conseguiu recuperar o objeto pessoalmente.
Na avaliação apresentada pelo candidato, a discussão começou depois que integrantes do grupo petista reagiram à presença da placa. Bruno classificou o episódio como uma tentativa de ataque e afirmou que estava realizando atividade de campanha.
A versão apresentada pelo candidato, entretanto, não é compartilhada pelos militantes que estavam no local.
Militantes apresentam outra versão
Integrantes do PT que participaram da discussão afirmaram que Bruno Souza teria provocado os militantes e feito ofensas verbais durante a passagem pela Esquina Democrática.
Também houve questionamentos sobre a legalidade da placa utilizada pelo candidato.
A legislação eleitoral estabelece regras específicas para a utilização de propaganda em espaços públicos. Conforme as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é proibida a veiculação de propaganda eleitoral em bens públicos e em bens de uso comum, incluindo a exposição de placas, cavaletes, bonecos e objetos semelhantes.
As regras para as Eleições 2026 também estão reunidas nas normas eleitorais disponibilizadas pelo TSE. A propaganda eleitoral está regulamentada por resoluções específicas e pela legislação federal.
No entanto, até o momento da publicação desta reportagem, não havia informação de decisão da Justiça Eleitoral especificamente sobre a placa utilizada por Bruno Souza durante o episódio em Florianópolis. Portanto, a afirmação de que o objeto constituía propaganda irregular deve ser tratada como uma alegação feita pelos militantes, e não como uma conclusão definitiva.
Guarda Municipal separou os grupos
A intervenção da Guarda Municipal ocorreu depois que a discussão evoluiu para um empurra-empurra. Os agentes permaneceram entre os grupos para evitar uma nova aproximação física.
Não há, até o momento, informação confirmada sobre pessoas feridas durante o episódio.
Também não havia, no momento da publicação, manifestação oficial localizada da Justiça Eleitoral sobre uma eventual investigação relacionada ao caso.
A Guarda Municipal e as partes envolvidas podem apresentar posteriormente informações adicionais sobre o que ocorreu e sobre eventual registro da ocorrência.
Episódio ocorre às vésperas da eleição
A confusão aconteceu na reta final da campanha eleitoral de 2026. O primeiro turno das eleições está marcado para domingo (4), e os últimos dias da disputa concentram atividades de rua, distribuição de material e manifestações de candidatos e apoiadores.
O calendário eleitoral do TSE estabelece que a propaganda eleitoral pode ocorrer dentro das regras previstas para o período de campanha, mas também determina restrições específicas para determinadas condutas e espaços.
A situação registrada em Florianópolis chama atenção justamente por ter ocorrido em um espaço tradicionalmente utilizado para manifestações políticas e pela participação de grupos ligados a campos políticos adversários.
As imagens do episódio passaram a circular nas redes sociais e mostram diferentes momentos da discussão, incluindo o confronto verbal, a queda da placa, a intervenção de pessoas que tentaram separar os envolvidos e a chegada da Guarda Municipal.
Por enquanto, as versões apresentadas pelos dois lados permanecem divergentes. Bruno Souza sustenta que foi atacado e que sua placa foi retirada por integrantes do grupo adversário. Já militantes do PT afirmam que o candidato provocou e ofendeu participantes da atividade partidária e questionam a legalidade do material utilizado.
Até a publicação desta reportagem, não havia informação confirmada sobre feridos, prisão ou autuação relacionada à ocorrência. Também não havia manifestação pública da Justiça Eleitoral determinando se houve ou não irregularidade eleitoral no uso da placa.
O caso poderá ter novos desdobramentos caso alguma das partes formalize denúncia ou representação perante os órgãos responsáveis pela fiscalização das eleições.

Foto: Reprodução
