O que mudou no Brasil em 11 anos de polarização política?
Estamos chegando ao mês de novembro. Ao longe, já se avista o Papai Noel nas vitrines e propagandas, e o ano de 2025 se prepara para ir embora. Mas a pergunta que paira no ar é: o que realmente mudou na vida do brasileiro em termos de política nos últimos onze anos?
Foi por volta de 2016 que o país mergulhou de vez no racha entre direita e esquerda. A partir dali, dois blocos se formaram, e o debate político se transformou em um campo de guerra ideológica. Desde então, o Brasil já teve presidentes de ambos os espectros — direita e esquerda —, mas, na prática, o que se alterou de fato?
Em 2016, vivíamos no Brasil uma crise política e econômica. O salário perdia valor dia após dia, e a inflação assustava as famílias. Passada mais de uma década, o cenário mudou?
Naquele mesmo período, iniciou-se a acusação de que professores estariam doutrinando alunos em sala de aula, pregando a utopia do socialismo e transformando estudantes em agentes de revolta contra o capitalismo — o mesmo sistema que sustenta o conforto de muitos. O que mudou?
Os políticos, como sempre, se degladiavam pelo poder, cada um com seu discurso inflamado e sua falsa defesa do povo. A política virou espetáculo. Um grupo tentava provar que o outro era corrupto, e o povo assistia atônito. O que mudou?
Traficantes, milicianos e todo tipo de criminoso já dominavam comunidades e territórios, impondo um poder paralelo. Hoje, em 2025, a situação é diferente?
Naquela época, o Brasil também figurava entre os piores índices de educação do mundo, sendo considerado um país de população inculta. Mais uma vez, cabe a pergunta: o que mudou?
A verdade é dura: já tivemos líderes de direita e de esquerda, mas nada de essencial se transformou. Tudo parece girar em torno do ego e da luxúria de quem governa. Ambos os lados se mostraram inaptos para comandar a nação, e, mesmo assim, muitos ainda os defendem como salvadores.
Nos estados, comandados ora por ditos “conservadores”, ora por “progressistas”, as mudanças reais são tímidas. Pode até haver avanços pontuais, mas, se mudarmos as perguntas, a resposta será sempre a mesma: nada mudou de fato.

Vivemos presos a um sistema que nos faz enxergar sombras na parede da caverna, enquanto a luz da verdade permanece em outro lugar — como bem explicou Platão. A sociedade, por sua vez, prefere enterrar a cabeça na terra como uma avestruz, ouvindo apenas aquilo que confirma suas próprias crenças.

Nossos políticos tornaram-se figuras elitistas e individualistas, e a população, cada vez mais apática, segue servindo a um sistema que a reduz a números. O resultado é uma massa que age sem refletir — uma multidão de “cegos guiando cegos”, enquanto o país tenta sobreviver a tamanha ignorância coletiva.

Permaneço fiel à frase de Adlai Stevenson: “Minha definição de sociedade livre é aquela em que se pode ser impopular com segurança.”
Por isso, continuo escrevendo o que vejo e sinto, ainda que seja impopular. Afinal, como disse Augusto Branco, “Política e religião não se discute, e assim a sociedade permanece nas trevas da ignorância”.

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