Dizem que Jair Bolsonaro apoia Tarcísio de Freitas para a Presidência em 2026. Bonito, não? Um gesto de grandeza política — até você descobrir a condição: Michelle Bolsonaro de vice. Pronto, o roteiro de tragédia nacional está completo.
A cada movimento, Bolsonaro prova que não aprendeu nada. Tornou-se o espelho que tanto dizia odiar. Se Lula é o vírus, Bolsonaro é a mutação da mesma praga.
Já falei aqui: currículo é o mínimo que se espera de quem pretende governar um país. E o da ex-primeira-dama? Bem, vamos ser educados — “casamento com ex-presidente” é o único item que caberia na ficha. Alguns dirão: “ah, mas ela é muito bonita”. Pois é, o Brasil virou Miss Simpatia da incompetência: basta ser simpático, sorrir e dizer “Deus acima de tudo” que já está habilitado para cuidar da nação. Estamos salvos — ou quase — pela estética.
Essas duas figuras, Lula e Bolsonaro, são as doenças venéreas da política brasileira. Uma DST de poder que se transmite pelo voto, pelo fanatismo e, principalmente, pela burrice coletiva. O país adoeceu e ainda aplaude o vírus.
Enquanto Lula destruiu o que FHC construiu, Bolsonaro se limitou a posar com a arminha. Um brincava de revolucionário sindicalista, o outro de soldado de brinquedo. Resultado: o Brasil ficou de maca.
Agora, com Michelle cogitada como vice e Lula querendo mais um round, vemos que o fundo do poço brasileiro tem porão. A fragilidade de nossas instituições — educação falida, saúde capenga, economia remendada — nos transformou em eleitores de desculpas. “Voto no X porque o Y não dá.” Pois é. Em nossa política, X e Y são variáveis da mesma equação: o resultado é sempre porcaria.
Tarcísio de Freitas, por sua vez, parece o adulto na sala. Tem preparo, tem técnica, e não precisa de figurino militar nem de estrela vermelha. Seu vice natural seria Romeu Zema, outro que trabalha mais e fala menos — algo quase exótico por aqui. Mas não: Bolsonaro quer empurrar sua “sugar baby” política. Sem currículo, sem preparo, sem nada — uma obra de ficção pública com verniz evangélico.
Se Tarcísio, por acaso, estiver lendo: aceite a vice de papel se for preciso, dê o osso simbólico ao rebanho de cabresto.
Mas, se vencer, governe como homem de Estado — e não como discípulo de messias aposentado.
E, por favor, deixe Michelle e as arminhas no camarim. O Brasil precisa de líderes, não de reality show político.

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