Se Augusto Cury, com o seu currículo, estivesse concorrendo à Presidência da República na maioria dos países europeus e asiáticos, provavelmente estaria entre os primeiros colocados nas pesquisas. Mas ele teve o azar de nascer no Brasil — e nós, a sorte de tê-lo como brasileiro.
O Brasil é um país que parece ter a tendência de, no segundo turno, obrigar o povo a escolher qual dos dois candidatos é o “menos bandido”. Um país que polariza a política entre dois candidatos que, além de extremamente ignorantes, muitas vezes apresentam um histórico moral próximo de zero.
Augusto Cury é aquilo que o Brasil não merece como presidente: um homem culto, de trajetória profissional ilibada, reconhecido mundialmente e que poderia servir de modelo para milhões de pessoas. Mas não no Brasil. Aqui, este país enaltece a ignorância, como se não ter estudo fosse uma virtude. É um país onde a expressão “mas eu acho” passou a ser considerada fonte histórica, argumento científico e certeza absoluta.
Este país parece gostar da mediocridade. E isso vale para todo o Brasil.
Basta olhar para Santa Catarina. O Estado, que já elegeu o carioca Jorge Seif para o Senado — algo que, para muitos catarinenses, é motivo de vergonha alheia — agora tem gente defendendo Carlos Bolsonaro, outro carioca, cuja trajetória política e realizações é zero.
Mas o brasileiro já provou que, muitas vezes, não defende sua cidade, seu Estado ou sequer os interesses de sua própria família. Defende, acima de tudo, o seu “mas eu acho”.
Quantas vezes já falei aqui sobre a suposta incapacidade cognitiva do brasileiro, citando dados e pesquisas que deveriam ser analisados com seriedade? Há uma afirmação recorrente de que cerca de 66% dos brasileiros teriam QI igual ou inferior ao de um chimpanzé. Dado a esses números, me remonta é ver que tudo isso é normal.
Ainda assim, Santa Catarina oferece exemplos que, para mim, são difíceis de ignorar: seja com a defesa de Carlos Bolsonaro, seja com a eleição de deputados estaduais que se apresentam como conservadores, mas que, na minha avaliação, pouco ou nada fizeram para transformar a educação que tanto defendem em seus discursos.
O que vemos, muitas vezes, são ideologias vazias de um lado e de outro, capazes de transformar o debate político em uma disputa entre “abobados de esquerda” e “retardados de direita”, quando o que o país realmente precisaria seria de pessoas capazes de pensar, estudar, propor e executar.
Augusto Cury é, sim, um grande nome. Um candidato que, provavelmente, jamais será presidente desta nação de fracassados.
E talvez esse seja justamente o problema.
Cury jamais prometeria picanha como Lula, nem faria dancinhas ridículas em vídeos como Flávio. É um homem de valor, que não parece disposto a se transformar em um “mico de circo” apenas para conquistar a atenção de um eleitorado acostumado ao espetáculo.
O povo brasileiro parece ter sido forjado para o fracasso e preparado, ao longo de décadas, para ser manipulado. E talvez continue assim enquanto preferir o espetáculo ao conhecimento, a ideologia à realidade e o “eu acho” aos fatos.
Jaraguá do Sul também é um exemplo disso. Temos vereadores e ex-vereadores que agora se lançam candidatos a deputado e cuja trajetória política parece ter sido construída muito mais diante das câmeras e nas redes sociais do que por resultados concretos. Alguns fizeram acusações graves que jamais conseguiram comprovar. Outros construíram sua popularidade em torno do espetáculo político — e, ainda assim, encontram espaço nas urnas. Há até quem chegue à disputa sem sequer apresentar uma trajetória profissional consolidada. No fim, fica uma pergunta incômoda: estamos escolhendo representantes preparados para trabalhar pelo Estado ou simplesmente premiando quem sabe fazer mais barulho na internet?
As pesquisas de opinião mostram, repetidamente, o tamanho da polarização política e o quanto milhões de brasileiros continuam presos às narrativas de esquerda e de direita, independentemente dos resultados concretos apresentados por seus representantes.
O que esperar de um país que parece perder, a cada dia, a esperança de construir algo melhor, enquanto parte de sua população abre mão da capacidade de questionar, estudar e pensar por conta própria?
Talvez seja justamente essa a nossa maior tragédia.
Como teria dito o jornalista e escritor Paulo Francis:
“Talvez o Brasil já tenha acabado e a gente não tenha se dado conta disso.”

