AQUI TEM HISTÓRIA – Você já imaginou como era integrar estados inteiros em uma época em que as estradas eram precárias e a comunicação à distância parecia feitiçaria? Muito antes da era digital, um pioneiro destemido assumiu a missão de erguer as teias de fiação que aproximaram cidades, governos e famílias no Sul do Brasil. Trata-se do Coronel Juan Ganzo Fernandez, figura central da história das telecomunicações na América Latina e divisor de águas na modernização infraestrutural do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Das Redes Infantis ao Batismo de Fogo no Uruguai
Nascido em Gran Canária em 1872 e criado na cidade de Florida, no Uruguai, Ganzo Fernandez demonstrou genialidade precoce: aos 12 anos já havia montado sua primeira rede telefônica local. Sua vida, contudo, esteve longe de ser estritamente técnica. Em 1903, envolveu-se nas lutas revolucionárias uruguaias contra o governo, ocasião em que recebeu o posto de “Coronel a dedo” — designação de confiança que ostentaria com orgulho por toda a vida.
O Visionário das Automáticas e a Expansão pelo Rio Grande do Sul
Após os conflitos no Uruguai, fixou residência no Rio Grande do Sul, onde deixou uma marca indelével na engenharia da região. Foi o responsável direto pela instalação de mais de 200 centrais telefônicas gaúchas (como as de Pelotas e Bagé) e pela introdução da primeira central automática de toda a América Latina, inaugurada em Porto Alegre no ano de 1906. Homem de espírito inquieto, fundou também uma empresa de correio aéreo e o próprio Jardim Zoológico da capital gaúcha (o Parque Ganzo).

A Conquista de Santa Catarina e a Era do Estado Novo
Convidado pelo presidente catarinense Adolfo Konder e encorajado pela política de integração territorial mantida no governo de Nereu Ramos durante o Estado Novo, o Coronel transferiu-se para Santa Catarina. Vencedor da concorrência pública com a empresa Juan Ganzo Fernandez & Cia Ltda., superou estradas precárias e crises financeiras — vendendo ativos pessoais para financiar aparelhagem europeia — até inaugurar, em 27 de setembro de 1930, a primeira central automática de Florianópolis. Em 1938, consolidaria sua estrutura ao fundar a Companhia Telefônica Catarinense (CTC), articulando redes urbanas e intermunicipais por todo o estado.
Considerações Finais
Mais do que um empresário da tecnologia, Juan Ganzo Fernandez foi um construtor de pontes simbólicas e reais. Sua trajetória combina a ousadia dos pioneiros do século XX com a visão estratégica de integração regional necessária para o desenvolvimento do Sul do país. Falecido em Florianópolis em 2 de maio de 1955, o “Coronel” deixou um legado de inovação que moldou a identidade urbana e comunicacional de Santa Catarina e do Brasil.
Fonte de Referência
- O PIONEIRO: Cel. Juan Ganzo Fernandez. Acervo Documental e Jornalístico Regional. Artigo de memória histórica sobre a fundação da Companhia Telefônica Catarinense e a biografia do Coronel Juan Ganzo Fernandez.
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