AQUI TEM HISTÓRIA | Por: Ademir Pfiffer, historiador. Especial ao Portal Observa+ e Jornal do Vale do Itapocu
A história de Jaraguá do Sul não é fruto do acaso, mas de uma arquitetura de progresso desenhada sob o rigor técnico e a visão de futuro. Ao observarmos o folder comemorativo do Centenário, em 1976, com seu lema “Grandeza pelo Trabalho”, não vemos apenas uma peça publicitária de época, mas o coroamento de um projeto iniciado um século antes.
O ponto de partida reside na figura de Emílio Carlos Jourdan, o engenheiro militar e concessionário das terras da Princesa Isabel e do Conde D’Eu, que em 1876 vislumbrou, na confluência dos rios Itapocu e Jaraguá, mais do que uma densa floresta: ele projetou o “Estabelecimento Jaraguá”.
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A narrativa visual apresentada no folder de 1976 estabelece um diálogo direto com o pensamento de Jourdan. À esquerda da imagem, as figuras bovinas sobre o sol poente simbolizam a Jaraguá agrícola, a fase da subsistência e da pecuária que sustentou os primeiros colonos. Jourdan, como gestor das terras imperiais, compreendia que a fixação do homem ao solo era o primeiro passo para a soberania do território.
Ele não buscou apenas braços para a lavoura, mas estabeleceu as bases de uma logística funcional, mapeando lotes e caminhos que respeitassem a topografia do vale, permitindo que a pequena produção familiar florescesse sob a égide da cooperação.
No entanto, o projeto de Jourdan continha o germe da modernidade. Ele não era apenas um agrimensor; era um estrategista. A transição para a Jaraguá industrial, representada no folder pela chaminé estilizada e pela engrenagem mecânica, é o desfecho lógico dessa organização metódica. A engrenagem, que se sobrepõe ao centro da composição, simboliza o motor da economia catarinense que, na década de 1970, vivia o ápice do seu “milagre” produtivo.
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O trabalho, valor central tanto para os imigrantes europeus quanto para a administração de Jourdan, transformou o ferro em ferramenta e o vapor em progresso. A fumaça que emerge da chaminé no cartaz de 1976, hoje ressignificada sob a ótica ambiental, era na época o estandarte da vitória da técnica sobre a rusticidade da mata.
A “Grandeza pelo Trabalho” é a frase que amarra essas duas eras. Ela justifica a transição da antiga colônia sob contrato imperial para uma metrópole regional autônoma. Jourdan lançou a semente da disciplina e da infraestrutura; as gerações seguintes, herdeiras desse “pensamento de estabelecimento”, converteram a concessão de terras em um ecossistema de fábricas e inovação.
O folder, portanto, é um inventário histórico: ele reconhece o esforço do pioneiro e celebra a força do industrial, unindo-os em uma identidade única de perseverança.

Considerações Finais
Concluir a análise desse panorama é entender que a arca do tempo de Jaraguá do Sul, mencionada na imprensa como guardiã de memórias, contém mais do que objetos; ela guarda uma filosofia de desenvolvimento. Entre a fundação por Emílio Carlos Jourdan em 1876 e o apogeu celebrado em 1976, o fio condutor foi a capacidade de planejar o amanhã sem desprezar as raízes do ontem.
Jaraguá do Sul permanece como o testemunho vivo de que o planejamento de um homem, quando encontra o trabalho de um povo, transmuta o território em um legado eterno de prosperidade e cultura.
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