A Magia do Lampião no Vale do IPHAN | Ademir Pfiffer – Historiador – Jornal do Vale do Itapocu/Portal Observa+
O Tempo e a Memória no Salão Barg
Há eventos que transcendem a festa e se tornam documentos vivos de uma comunidade. O que ocorreu no dia 25 de outubro no Salão Barg, em Rio da Luz I, foi um desses momentos. Em um bairro historicamente integrado ao Vale Tombado pelo IPHAN, a tradição germânica e pomerana do tiro ao alvo encontrou a efervescência cultural dos Anos 60, costurando passado e presente em uma celebração rodízio das sociedades de tiro. Esta é uma narrativa sobre a preservação, a história e o sabor da identidade local, capturada sob o olhar atento da memória comunitária.

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Uma Viagem ao Coração Cultural de Rio da Luz I
No Salão Barg, a solenidade teve início com a ritualística busca das majestades: o comandante da marcha, Almir Koeckchoefel, liderou o cortejo das majestades da edição do evento de 2024, tendo como rei Adalberto Rengel, ladeado pelo 1º cavalheiro Valdir Wackenhage e o 2º cavalheiro Dorival Buettgen. O evento é um ritual cíclico, um “rodízio” que une as sociedades de tiro do Vale Tombado – Guarany, Vitória, Centenário e Ribeirão Grande da Luz – assegurando a continuidade de um patrimônio imaterial.

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A escolha da temática desta edição – os Anos 60 – não foi aleatória. Essa década de reviravoltas, inovações e contradições foi transportada para o salão, adaptado para um genuíno Baile de Lampião. O uso minimizado da luz elétrica, substituída por lampiões de querosene e a pilha (sob atenta supervisão da brigada de segurança), e a decisão de músicos do Musical JS de Jaraguá do Sul tocarem sem auxílio de equipamentos sonoros modernos, resgataram a atmosfera crua e íntima dos encontros do passado.
O cuidado com o figurino reforçou o tema: homens em calça social e camisa da sociedade, e as mulheres majoritariamente em vestidos e saias de bolinhas, uma alusão à nostalgia de Estúpido Cupido (1976), que eternizou o charme da moda dos anos 60.

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A Gastronomia como Pilar da Identidade
Nenhum resgate cultural estaria completo sem a gastronomia, o verdadeiro cimento social. A culinária típica brilhou como ponto alto, oferecendo iguarias que são verdadeiros documentos históricos: kochkäse, heringbrot, wurschbrot, sülse (geleia de porco), strudel, cucas, bolos e pão de canela.
É nesse ponto que o evento ecoa o pensamento do sociólogo e intelectual brasileiro Gilberto Freyre. Ao defender a identidade nacional, Freyre sempre destacou a importância das tradições regionais e, notavelmente, da culinária como pilar de nossa formação. Para ele, a valorização da comida típica não é apenas um ato de nostalgia, mas uma forma de celebrar o sincretismo e a permanência de costumes que resistem à modernidade pasteurizada.

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O Futuro da Permanência
O evento no Salão Barg, com sua perfeita união entre a solenidade do tiro ao alvo (a tradição germânica), o palco histórico (a proximidade com o Vale Tombado pelo IPHAN) e a temática nostálgica (a volta aos Anos 60), demonstra que a identidade brasileira é feita da soma e da celebração de suas partes. A preservação cultural no Rio da Luz I não é um museu estático, mas um evento vivo, dançante e saboroso, onde as memórias do passado ditam o ritmo do presente.
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O Musical JS, responsável por integrar todas as etapas da festa, é o maestro que harmoniza os acordes germânicos com o repertório nacional, provando que é na valorização do próprio, como nos ensinou Freyre, que reside a força da nossa cultura regional.
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