(Ademir Pfiffer – Historiador, para o Jornal do Vale do Itapocu – Observamais)
O texto retrata a trajetória centenária do Salão Barg, fundado em 1915 como Associação Recreativa e Cultural Rio da Luz, e celebra seus 110 anos de existência. Marcado pela herança da colonização pomerana e alemã, o espaço consolidou-se como referência comunitária, palco de tradições como a eleição de Reis e Rainhas, o tiro ao alvo, a música e os festejos germânicos. A narrativa une memória e atualidade, destacando a importância do Salão Barg como patrimônio vivo e símbolo cultural que se projeta para o Sesquicentenário de Jaraguá do Sul, em 2026.
Na encantadora cidade de Jaraguá do Sul, no bairro Rio da Luz I, o Salão Barg, sede da Associação Recreativa e Cultural Rio da Luz, é o coração pulsante das tradições germânicas, pomeranas e alemãs que moldaram a comunidade desde o século XIX. Mais do que um espaço de encontros, o Salão é guardião de uma herança cultural, palco de festas, bailes e competições de tiro que atravessam gerações.

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A trajetória teve início em 15 de agosto de 1915, quando um grupo de colonizadores e descendentes fundou a sociedade sob a denominação de Tiro Nacional Rio da Luz, com estatutos redigidos em alemão. A primeira diretoria foi composta por Richard Konell (presidente), Robert Fischer e Otto Lewerens (presidentes executivos), Wilhelm Zimke (capitão), Otto Mathias (secretário) e Augusto Mathias (tesoureiro). Entre os sócios fundadores destacam-se famílias tradicionais da região, como Spengler, Mathias, Büttgen, Konell, Siewert, Schade, Fischer, Rahn, Erdmann, Rux, Lemke, Stamjohann, Larsen, Beseke, Hanemann, Duwe, Marquardt, Drews, Lenz, Ramthun, Klein, Sohn, Meinike, Hass, Blank, Krehnke, Schmidt, Ehlert, Geiseler, Schulz, Schmauch, Larson, Anderson, Isberner, Krüger, Müller, Günther, Winter e Gumz.
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Ainda nos primeiros anos, os sócios Ricardo Fritske e Henrique Barg, em conversa com Júlio Manske, Augusto Büttgen, Carlos Eischtaedt (sênior), Frederico Barg, Emílio Müller e Carlos Rahn (sênior), propuseram a construção de uma sede própria. Em terreno doado por Wolfgang Weege, foi erguida a sede em estilo enxaimel, inaugurada em 9 de novembro de 1941 com um baile animado pelo musical Freiheit. Em frente à sede ficava a filial da Firma Weege, gerenciada por Frederico (Fritz) Barg; daí surgiu o nome Salão Barg, mantido mesmo após a substituição de Fritz por Leopoldo Barg.
Com a Segunda Guerra Mundial, as atividades sociais foram interrompidas, e as armas da Sociedade, de fabricação alemã, foram apreendidas e nunca mais devolvidas. Em 1944, a entidade reabriu sob novos estatutos, passando a chamar-se Sociedade de Diversões Rio da Luz, e em 1949 adotou o nome de Sociedade Recreativa Rio da Luz.

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As Festas de Rei, tradição central da entidade, marcavam-se pela marcha em busca do Rei, realizada no sábado pela manhã, quando os sócios, de terno e bandeiras em punho, acompanhados por banda de música, seguiam até a residência do soberano. Recebidos com refeições e bebidas típicas — licor, cachaça e cerveja de gengibre —, ali mesmo realizavam competições de tiro, nas modalidades Rei Pássaro, Rei Cervo e Rei Maior, com carabina e flecha. À noite, o baile encerrava a celebração, muitas vezes animado por grupos como a Banda Jazz Band Elite (Corupá) e a Banda Treml (São Bento do Sul). Os bailes seguiam regras rígidas, com ingressos antecipados e Comitê de Segurança, identificado por fitas no braço, que fiscalizava a ordem e evitava desrespeitos.
O Salão Barg também abrigou grupos de teatro, canto e festas particulares, como casamentos e aniversários. Em 1970, a forte presença feminina levou à criação do Departamento Feminino, com Edith Kreutzfeld, Elfi Müller e Agathe Barg Guilow, tendo Edi Milnitz como comandante. Nesse ano, cerca de cem mulheres participaram de um encontro que elegeu as primeiras Rainhas: Alzira Krause (Rainha do Pássaro) e Agathe Barg Guilow (Rainha do Tiro).
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Entre 1976 e 1980, a Sociedade representou Jaraguá do Sul em festivais de tiro, inclusive no Rio Grande do Sul. Em uma reunião social de 1978, surgiu a ideia de uma grande festa envolvendo várias sociedades, embrião da futura Schützenfest. Em 1988, os sócios Norberto Barg e Ademar Frederico Duwe organizaram uma demonstração completa da tradicional busca do Rei, sensibilizando as autoridades municipais. O resultado foi a criação da Associação dos Clubes e Sociedades de Tiro do Vale do Itapocu e, em 1989, a realização da 1ª Schützenfest de Jaraguá do Sul.

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Em 1980, durante os Jogos Abertos de Santa Catarina, a sede do Salão Barg foi utilizada em competições de tiro com carabina 22, revólver, tiro ao prato e ao pombo.
Atualmente, a Sociedade preserva a tradição das Festas de Rei, ainda que com mudanças no horário: a busca do Rei inicia por volta das 14 horas e o baile às 22 ou 23 horas. O uniforme oficial mantém a identidade cultural: preto e branco para homens e bordô e branco para mulheres nas Festas de Rei; agasalho preto, bordô e branco para torneios de tiro. A programação anual contempla quatro festas de Rei e Rainha, duas festas de Rainha, uma festa de Rei e o baile de aniversário.
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Ao longo de sua história, a Sociedade teve como presidentes: Richart Konell (1915–1923), Bernardt Ehlert, Erich Ehlert (1944), Ricard Kreutzfeldt, Carlos Eischädt (1949–1969), Rolf Kreutzfeldt (1970–1973), Harri Marquardt (1973–1976), Arno Marquardt (1976–1978), Ademar Frederico Duwe (1978–1982 e 1985–1988), Walter Rahn (1982–1985), Sidio Müller (1988–1990), Evaldo Häerchen (1990–1992), Ari Hornburg (1992–1995), Arildo Müller (1995–1999) e Celso Hille (1999 – 2007)),Valdir Wacherhage (2008),Celso Hille (2009 – 2011), Alfredo Dimas Hafermann (2012), Celso Hille (2013- 2016), Anderson Michel Hornburg (2017-2020) e Arlete Hornburg (2021…)
Em 16 de agosto de 2025, a partir das 18 horas, a comunidade de Rio da Luz celebrou com entusiasmo os 110 anos de fundação da Associação Recreativa e Cultural Rio da Luz. O evento reuniu nove sociedades de tiro e contou com um desfile folclórico pela Rua Eurico Duwe, comandado por Almir Köckhoefel e animado pela Banda Euterpe, da SCAR. A festa seguiu com um jantar típico e um baile social, que teve a música de Cleiton & Daivid e da Banda D’Fiebes, de Timbó. Houve também uma sessão especial de homenagens aos voluntários mais antigos, Arno e Alida Marquardt, e Arno e Irena Utpadel.
As majestades que abrilhantaram a festa haviam sido eleitas no ano anterior, em 2024, durante a comemoração dos 109 anos: Valdemar e Marli Boeder como Rei e Rainha, Roberto e Claudia Lenz como 1º Cavalheiro e 1ª Princesa, e Arnildo e Marceli Ehlert como 2º Cavalheiro e 2ª Princesa. Este último casal, em 2025, reconquistou também o título de Rei e Rainha do tiro ao alvo, sendo escolhido como majestade-símbolo do Sesquicentenário de Jaraguá do Sul (2026). A atual presidente, Arlete Hornburg, organizou todos os detalhes da comemoração. Entre as autoridades presentes estavam o deputado estadual Vicente Caropreso e o historiador Ademir Pfiffer, convidados, que fizeram o uso da palavra para contextualizar a solenidade de celebração.

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Considerações Finais
O Salão Barg e a Associação Recreativa e Cultural Rio da Luz representam muito mais do que um espaço físico ou uma entidade social: são testemunhos vivos da herança cultural pomerana e alemã em Jaraguá do Sul. Ao longo de seus 110 anos, o Salão foi palco de festas, competições de tiro, bailes e atividades culturais que consolidaram tradições e fortaleceram os laços comunitários. Desde a fundação em 1915 até a comemoração dos 110 anos em 2025, passando pelo embrião da Schützenfest e pelas diversas transformações da Sociedade, fica evidente que o Salão Barg é o guardião de memórias, identidades e práticas culturais que atravessam gerações.
A preservação dessas tradições, aliada à celebração das majestades e à participação ativa da comunidade, demonstra que a história e a cultura não são apenas lembranças do passado, mas sim um patrimônio vivo, capaz de se renovar e se projetar para o futuro. O Salão Barg permanece, assim, como símbolo de pertencimento, orgulho e continuidade histórica, consolidando-se como referência cultural e espaço de convivência, preparando-se para os desafios e celebrações do “Sesquicentenário” de Jaraguá do Sul, em 2026.
Fonte: Kita, Silvia Regina Toassi. FESTAS DE REI: Königfeste. Coordenação: Arnoldo Schulz (in memoriam).
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